Ex-deputado Douglas Garcia troca socos com manifestantes na Faculdade de Direito da USP
Confusão marcou protesto no Largo do São Francisco, três anos após ataques em Brasília; ex-deputado alegou legítima defesa.
Um protesto contra o chamado PL da Dosimetria terminou em tumulto nesta quinta-feira (8), na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), localizada no Largo do São Francisco, centro da capital paulista. O ex-deputado estadual e atual suplente de vereador em São Paulo, Douglas Garcia, se envolveu em uma briga com manifestantes que participavam do ato.
A manifestação foi organizada para lembrar os três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida em 8 de janeiro de 2023. Garcia compareceu ao local acompanhado dos vereadores Rubinho Nunes, de São Paulo, e Malcon Mazzucatto, de Vinhedo, todos do União Brasil. O ex-deputado tentava gravar vídeos provocando os manifestantes.
Em determinado momento, houve um acirramento dos ânimos e Garcia foi expulso da escadaria sob gritos de "recua, fascista". O ex-parlamentar teve a camisa rasgada durante a confusão. Já no térreo, Garcia trocou socos com alguns militantes de esquerda. O próprio ex-deputado publicou em suas redes sociais um vídeo do ocorrido, alegando ter agido em legítima defesa após ser agredido.
Rubinho Nunes negou ter praticado qualquer agressão, em declaração ao jornal Folha de S.Paulo. Mazzucatto também divulgou um vídeo em que aparece trocando empurrões com manifestantes.
O PL da Dosimetria foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, após ter sido aprovado no Congresso em 2025.
Douglas Garcia foi eleito deputado estadual em 2018 pelo PSL, partido pelo qual também se elegeu Jair Bolsonaro. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, defendeu pautas conservadoras, como o combate ao aborto, ao desarmamento e à chamada "ideologia de gênero".
Antes do mandato, Garcia liderava o grupo Direita São Paulo e criou um bloco de carnaval em homenagem a Carlos Alberto Ustra, conhecido torturador do regime militar. Em 2020, foi expulso do PSL por violar o código de ética do partido, ao adotar posturas contrárias ao regime democrático. Já havia sido suspenso anteriormente por disseminar notícias falsas e atacar instituições democráticas.
Em 2022, tentou se eleger deputado federal, mas obteve pouco mais de 24 mil votos e não foi eleito. Em 2024, concorreu ao cargo de vereador em São Paulo, recebeu 9 mil votos e ficou como suplente. Em suas redes sociais, Garcia costuma publicar vídeos em que comparece a manifestações de esquerda para confrontar participantes.