Caiado diz que definição de candidato do PSD depende de Kassab
Pré-candidatos do PSD à Presidência afirmam que decisão será conduzida por Kassab, sem prévias ou pesquisas internas.
Os três pré-candidatos à Presidência da República pelo PSD — Eduardo Leite, Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado — sinalizaram nesta quarta-feira, 28, que a definição do nome que representará o partido nas eleições de outubro não será feita por meio de eleição interna ou pesquisas eleitorais. A escolha ficará, principalmente, sob responsabilidade do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Governo na gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Vamos esperar Kassab dar ‘fumacinha branca’ para definir candidato do PSD”, afirmou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que oficializou sua filiação ao PSD na última terça-feira, 27, surpreendendo até aliados próximos. Até então, Caiado era pré-candidato à Presidência pelo União Brasil.
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul em segundo mandato, confirmou que não haverá prévias partidárias, como as que disputou em sua antiga legenda, o PSDB, nem mesmo pesquisas internas para embasar a decisão.
“Não vai ser observada pesquisa eleitoral para definir qual será o critério adotado pelo partido para a escolha do candidato. Eu acho que o que conta é o diálogo dentro do partido”, destacou Leite. “O partido tem várias lideranças muito experimentadas na política que vão ajudar a conduzir esse processo. O presidente Kassab lidera essas discussões internamente e não há nenhum critério objetivamente definido. Vai ser pela capacidade de entendimento político daquilo que possa ser mais exitoso.”
Durante entrevista após participar de um painel do Banco UBS Global, em São Paulo, Leite explicou que Kassab conduzirá um conselho com integrantes da executiva nacional para analisar qual projeto tem mais chances de prosperar. O nome escolhido contará com o apoio dos demais pré-candidatos.
Sobre as diferenças regionais do PSD, que reúne alas alinhadas tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo, os três pré-candidatos afirmaram que Kassab deu autonomia total para que o escolhido possa articular composições nos Estados, mesmo em cenários em que o partido esteja aliado a campos opostos.
“Por exemplo: se, na Bahia, o PSD for com o PT, nós iremos para o palanque do ACM Neto (União). No Ceará, se o PSD for para outro caminho, nós iremos para o nosso candidato. (Kassab nos deu) total liberdade de ação, sem dificuldade nenhuma”, explicou Caiado.
O governador de Goiás ressaltou ainda que não há divisões na centro-direita e que o grupo estará unido no segundo turno das eleições presidenciais. Caiado relatou que esteve com o senador Flávio Bolsonaro (PL), também pré-candidato à Presidência, há cerca de uma semana, e que o próprio senador defendeu maior número de pré-candidatos no primeiro turno.
“Candidatura única no primeiro turno é o que o Lula quer”, afirmou Caiado. “Todos se mostraram simpáticos a essa estratégia. O coordenador da campanha dele (Flávio Bolsonaro), senador Rogério Marinho (PL-RN), participou por vídeo da reunião e também reforçou esse entendimento. Então, não há nenhuma cizânia, nenhum desentendimento em relação a essa postura da centro-direita. Não existe um contra o outro. No segundo turno, todos nós estaremos com aquele que atravessar o primeiro turno. Isso é óbvio, não há desencontro.”
Caiado também declarou não ter um plano alternativo caso não seja o escolhido de Kassab para disputar a Presidência. “Se eu quisesse pleitear o Senado, eu não estaria nessa luta aqui. Eu sou pré-candidato à Presidência. Vamos deixar o processo acontecer”, disse, durante coletiva após o evento.