CPMI DO INSS

Presidente da CPMI do INSS autoriza quebra de sigilo bancário de Lulinha

Pedido aprovado em sessão tumultuada acelera disputa entre governo e oposição; base governista recorre a Alcolumbre para tentar anular decisão.

Publicado em 27/02/2026 às 17:58
Carlos Viana é o presidente da CPMI Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), comunicou nesta sexta-feira (27) ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) o pedido de quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana solicitou ao órgão um prazo de cinco dias para o envio das informações referentes ao requerimento aprovado na última quinta-feira (26), em uma sessão marcada por protestos do governo e tumulto.

O comunicado abre uma corrida entre oposição e governo pelo acesso às informações. Inicialmente, a base governista acreditava que os dados só chegariam após o prazo usual — cerca de duas a três semanas —, o que daria tempo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para eventualmente anular a decisão da CPI.

"Todos os requerimentos aprovados foram formalizados e encaminhados ainda ontem (quinta-feira, 26), sem qualquer atraso ou postergação", afirmou Viana. "A CPMI cumpre rigorosamente suas decisões e seguirá executando cada medida aprovada pelo colegiado, com transparência, responsabilidade e estrita observância legal."

Integrantes do governo ouvidos pela reportagem consideram o prazo curto para cumprimento e apostam que Alcolumbre deverá se manifestar rapidamente sobre o caso.

Na mesma sessão, a CPI do INSS também aprovou requerimentos direcionados a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, ex-parlamentares e investigados pela Polícia Federal, todos suspeitos de envolvimento em um esquema fraudulento de descontos associativos. Até mesmo a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, foi alvo das deliberações.

A principal preocupação do governo, no entanto, recai sobre o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha.

Em uma votação simbólica contestada pela base, Viana declarou vitória da oposição, o que transformou a sala da comissão em palco de confrontos. A sessão foi interrompida e a TV Senado suspendeu a transmissão do vídeo ao vivo.

Parlamentares governistas partiram em direção à mesa onde estavam o presidente e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A Polícia Legislativa e deputados da oposição tentaram conter a aproximação. O clima se agravou após uma confusão entre os deputados Rogério Correia (PT-MG), da base, e Evair Vieira de Melo (PP-ES), da oposição.

Após o tumulto, membros governistas da CPI se reuniram emergencialmente com Alcolumbre para tentar reverter a decisão. No fim do dia, protocolaram recurso à presidência do Senado pedindo a nulidade da votação.

Presentes na reunião relataram que Alcolumbre ouviu as alegações de forma institucional e não se posicionou. Em nota, o gabinete da presidência do Senado informou que "um grupo de parlamentares esteve reunido agora com o presidente Davi Alcolumbre para comunicá-lo de que considera ter havido fraude na votação e que vai recorrer à presidência para que ela seja suspensa e anulada". O comunicado destaca ainda: "É um direito dos senadores recorrer à presidência e, quando o pedido chegar, o presidente analisará se é cabível ou não".

A bancada governista argumenta que, durante a votação simbólica, estavam presentes 21 membros do colegiado. Segundo a contagem visual, 14 parlamentares manifestaram voto pela rejeição. Viana, por sua vez, afirmou que apenas sete dos que se manifestaram seriam titulares, o que representaria votos válidos insuficientes para a vitória do governo.