Política

Valdemar Costa Neto destitui JHC e isola prefeito de Maceió na disputa pelo Governo de Alagoas

Sob o comando de Cabo Bebeto, partido veta apoio de vereadores à nova legenda de JHC; estratégia do prefeito visava fundo partidário e tempo de TV

Por Redação Publicado em 22/03/2026 às 08:32
Valdemar da Costa Neto destituiu JHC do partido

O cenário político de Alagoas sofreu uma reviravolta drástica neste fim de semana. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), não contará com o apoio da bancada de vereadores e suplentes do Partido Liberal (PL) em sua jornada rumo ao Executivo estadual nas eleições gerais de 2026. A ruptura tornou-se oficial após uma intervenção direta da cúpula nacional da legenda.

No último sábado (21), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, extinguiu a Comissão Executiva Estadual Provisória em Alagoas, destituindo JHC do cargo de comando. Em ofício, o dirigente notificou o prefeito a abster-se de praticar qualquer ato partidário em nome da sigla bolsonarista.

Fidelidade partidária e "xeque-mate"

A nova diretoria estadual, agora sob o comando do Cabo Bebeto, já enviou um alerta claro: os parlamentares eleitos pelo PL estão proibidos de apoiar candidatos fora da coligação oficial. O movimento cria um impasse jurídico e político para os aliados de JHC na Câmara Municipal.

"Os eleitos pela legenda só poderão votar em candidatos da coligação", pontuou Cabo Bebeto, reforçando a disciplina partidária.

Diferente do cargo de prefeito, vereadores estão submetidos a regras rígidas de fidelidade. Como a "janela partidária" só se aplica a cargos em disputa no ciclo eleitoral vigente (como deputados), qualquer migração fora desse prazo pode resultar na perda do mandato por infidelidade. Assim, a base de JHC no PL permanece "ilhada" na legenda, impedida de segui-lo para o seu provável novo destino, o PSDB.

O fator Arthur Lira

A saída de JHC, anunciada aos parlamentares na sexta-feira (20), frustra uma estratégia que visava manter o controle do PL no estado. O interesse era pragmático: a sigla detém um dos maiores fundos partidários do país e um robusto tempo de propaganda na televisão.

No entanto, os planos da Executiva Nacional convergiram para outra direção. Interlocutores apontam que o controle das negociações políticas do PL em Alagoas foi entregue às mãos de Arthur Lira, consolidando uma nova correlação de forças que prioriza alianças nacionais em detrimento do projeto pessoal do atual prefeito da capital.