Motoristas de aplicativo reivindicam melhores condições e segurança em audiência na Câmara
Representantes da categoria destacam desafios de remuneração e riscos em áreas de vulnerabilidade durante debate sobre marco legal dos aplicativos.
Representantes dos motoristas de aplicativos participaram de audiência na Câmara dos Deputados para discutir desafios enfrentados pela categoria, especialmente relacionados a pagamentos e segurança. O debate foi promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes).
Denis Moura, diretor da Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos, destacou que o algoritmo utilizado pelas plataformas exige alta produtividade para que os motoristas obtenham ganhos significativos. "Para levar benefício a grandes massas, é preciso usar algoritmos. Nossa batalha, que ainda será longa, é buscar a humanização dessa relação. Apesar de gerar renda, muitos se iludem com as expectativas", afirmou.
Moura sugeriu que o governo criou um cadastro nacional de motoristas, ampliando o conhecimento sobre o setor. Atualmente, a Câmara analisa o PLP 152/25 , que propõe regulamentarmente o transporte individual por aplicativo.
Desafios de segurança
Segundo Denis Moura, a segurança é um dos principais obstáculos para os motoristas, especialmente nas comunidades do Rio de Janeiro. Ele explicou que, em determinadas áreas, existem pontos específicos de embarque e desembarque, e, a partir daí, o usuário precisa buscar alternativas como o mototáxi.
Como solução, Moura sugeriu que os próprios aplicativos restringem as corridas para áreas de risco, evitando que os motoristas aceitem trajetos perigosos. Outra proposta é deixar de penalizar motoristas que cancelem viagens nessas regiões.
André Porto, diretor da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, ponderou que tais restrições podem ser vistas como discriminatórias. "No senso comum, diz-se para não entrar em certas comunidades por serem perigosas. Mas quem define isso objetivamente? Além disso, como evitar a discriminação dessas áreas?", questionou.
André informou que o Brasil conta com 2,2 milhões de motoristas e entregadores de aplicativos, sendo que 35% das corridas têm origem ou destino em comunidades.
O deputado Helio Lopes (PL-RJ) sugeriu maior interação empresas entre e motoristas para buscar soluções conjuntas para os problemas enfrentados.
Condições estruturais
Amanda Trentin, do Instituto Gerando Falcões, ressaltou que superar a extrema pobreza e a pobreza exige mais do que alternativas como o trabalho digital. Segundo ela, é necessário promover mudanças estruturais, como melhorias na moradia.
Ela lembrou que atualmente há 59 milhões de pessoas em situação de pobreza no Brasil, com renda média de R$ 694 por mês, e 9,5 milhões em extrema pobreza, com renda de até R$ 218 meses.