OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

PF aponta atuação de Jaques Wagner em três iniciativas ligadas ao Banco Master

Líder do governo no Senado foi alvo de buscas na nona fase da operação; defesa não se manifestou

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 14:48
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, usou o mandato para atuar em favor de interesses do Banco Master em pelo menos três frentes, segundo a Polícia Federal. A corporação realizou buscas em endereços ligados ao parlamentar nesta quinta-feira, 18.

De acordo com a investigação, Wagner atuou em propostas para tentar ampliar o crédito consignado, em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Para a PF, essas medidas eram estratégicas para as fraudes comandadas por Daniel Vorcaro.

A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a nona fase da Operação Compliance Zero. Durante a ação, foram apreendidos em um imóvel vinculado ao senador 49 mil dólares, o equivalente a R$ 252 mil. O espaço está aberto para manifestação.

A investigação aponta que o senador manteve interlocução direta com o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, a respeito de propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Mestre.

Após a primeira fase do Compliance Zero em novembro, Augusto Lima voltou a ser alvo de medidas da Polícia Federal nesta quinta-feira, 18. Os agentes cumpriram mandatos de busca e apreensão em endereços direcionados a empresários na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

A defesa de Lima afirmou que as buscas foram “desnecessárias”.

“Interlocutor relevante” dos interesses do Master, diz PF

A primeira frente de atuação atribuída a Wagner envolveu a ampliação do crédito consignado. Segundo a Polícia Federal, o senador atuou em medidas para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS.

As discussões também trataram da autorização para que os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e dos programas federais de transferência de renda tenham acesso a empréstimos consignados.

Conforme o pesquisador, essa articulação verificada na apresentação de uma emenda posteriormente incorporada à legislação que ampliou o acesso a essa modalidade de crédito.

A PF afirma que a pauta tinha ligação direta com os negócios de Augusto Lima, responsável por implementar, durante os governos de Jaques Wagner na Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que depois foi incorporado ao Banco Master. Chamado de Credcesta, o modelo se tornou um dos principais investimentos financeiros da instituição de Daniel Vorcaro.

A segunda frente da investigação envolve a discussão sobre as mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que protege depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

Segundo a PF, a ampliação da cobertura do fundo, que não se concretizou apesar dos esforços, era de interesse do Banco Master. A instituição usou a garantia do FGC como um dos principais instrumentos para captar recursos no mercado.

As investigações já foram confirmadas que o senador Ciro Nogueira recebeu prontamente e apresentou emenda nesse sentido. O ex-ministro da Casa Civil nega irregularidades.

Na terceira frente, o pesquisador concentra-se na atuação do Wagner em iniciativas relacionadas ao acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Para a PF, o senador acompanhou de perto uma operação considerada estratégica para o futuro da instituição controlada por Daniel Vorcaro, posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

Investigação aponta propina em imóvel de R$ 2,5 milhões e repasse de R$ 3,5 milhões

Diálogos extraídos do celular de Augusto Lima indicam que ele emprestou diversas vezes seu avião particular ao líder do governo Lula no Senado. As conversas também apontam que o empresário bancou ingressos para o camarote de um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina feitos ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa de familiares.