INVESTIGAÇÃO

Guimarães defende autonomia da PF em apuração sobre Banco Master

Ministro da SRI disse que investigações devem ocorrer com transparência e afirmou que Jaques Wagner terá direito à defesa

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 20:27
José Guimarães Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Lula, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira, 18, durante entrevista coletiva em Aracaju (SE), que as investigações da Polícia Federal (PF) sobre as fraudes bilionárias do Banco Master devem seguir “doa a quem doer”. A declaração ocorreu ao ser questionado sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, que realizou buscas e apreensões em endereços do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

“O nosso governo tem uma orientação clara, apura-se tudo, doa em quem doer. Buscar cada vez mais a transparência, que é uma atitude do nosso governo. Transparência total, investigação total”, afirmou o ministro, responsável pela articulação política entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. A entrevista coletiva foi divulgada na conta de Guimarães na rede social X.

Guimarães disse ainda que o governo recebeu a operação da PF envolvendo Wagner com “absoluta naturalidade”. Mesmo com um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os investigados no caso do Master, o ministro da SRI reforçou o discurso de que o escândalo é resultado do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O governo anterior é o grande responsável, e nós queremos que as investigações aconteçam com todo rigor, porque a Polícia Federal tem a autonomia para investigar. Recebemos com a absoluta naturalidade, porque no nosso governo a Polícia Federal tem a autonomia para investigar”, declarou.

O ministro também afirmou que Wagner terá “toda a proteção” para se defender dos indícios apontados pela PF durante a operação. “É uma liderança importante e ele terá todo o direito e a nossa proteção para ele se explicar e dar a versão dele sobre esse fato”, disse.

A fala de Guimarães reforça a estratégia do governo Lula diante do episódio, antecipada pelo Broadcast Político. O governo deve sustentar que a PF tem autonomia para investigar todas as pistas no caso do Banco Master e que a independência dada pelo presidente à corporação para apurar adversários também se aplica a aliados.

A nona fase da Operação Compliance Zero apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Jaques Wagner no esquema. A PF suspeita que Wagner recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

De acordo com os investigadores, a estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.

A investigação também apura se Jaques Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. Segundo os investigadores, o senador teria tratado diretamente com o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima sobre propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.

Durante a operação, os policiais apreenderam US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços de Wagner. Somados e convertidos, os valores chegam a R$ 485 mil. Jaques Wagner nega irregularidades e afirma acompanhar as investigações com tranquilidade.

Como mostrou o Broadcast Político, uma ala do governo defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para evitar eventuais desgastes ao governo no ano eleitoral. Esse grupo, que acumula desgastes com o senador baiano desde a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), tem como possível substituto o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE).