POLÍTICA

Flávio Bolsonaro se recusa a explicar detalhes sobre contrato de 'Dark Horse'

Candidato à presidência afirma que caso é 'livro fechado' e que não houve contrapartida no financiamento.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 22:03
Flávio Bolsonaro © telegram SputnikBrasil

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira, 28, que o caso do patrocínio de R$ 61 milhões para o filme Dark Horse feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é um "livro fechado". Flávio, porém, se recusou a dar detalhes sobre o contrato firmado com o banqueiro, que está preso por fraudes bilionárias.

"É um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira para quem quiser abrir e ter acesso na hora que quiserem", declarou, durante sabatina promovida pela TV Globo.

Durante a sabatina, Flávio disse que não foi errado ter procurado um financiamento privado para o filme, que homenageia o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador afirmou ainda que Vorcaro não recebeu nenhuma contrapartida por ter feito o patrocínio milionário.

"Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado de um filme do próprio pai. Apesar de ser senador, não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para esse investidor", declarou, durante sabatina promovida pela TV Globo.

Flávio continuou defendendo que o investimento feito para Dark Horse era privado e de boa fé por parte de Daniel Vorcaro, citando também patrocínios feitos pelo dono do Banco Master para projetos da Rede Globo.

"Me sinto na obrigação de prestar todos os esclarecimentos porque sou candidato à Presidência da República. Todo o patrocínio que foi feito no filme foi usado no filme", declarou Flávio.

O senador acrescentou que a perícia já concluiu que não haveria dinheiro público em Dark Horse.

Apesar disso, Flávio seguiu sem fornecer detalhes sobre o contrato de Dark Horse. Enquanto era pressionado, voltou a atribuir o caso das fraudes bilionárias do Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Flávio, ele não firmou nenhum contrato com Vorcaro, sendo sua parte apenas a autorização para o uso da imagem dele com o banqueiro.

O caso Dark Horse

Três meses já se passaram desde que Flávio afirmou que apresentaria publicamente um relatório detalhado sobre o financiamento do longa-metragem Dark Horse, que retrata a história de Jair Bolsonaro (PL). A produção contou com mais de 90% de seu orçamento bancado por Vorcaro, segundo a produtora. Até o momento, porém, Flávio não deu explicações.

"Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas", declarou na semana passada, após participar da reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

O financiamento foi tratado entre Flávio e o banqueiro, mesmo depois da prisão do dono do Master, em novembro de 2025, conforme mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.

No dia 1.º de junho, a Polícia Civil desencadeou a Operação Wi-Fi, com foco em uma licitação da Prefeitura de R$ 108 milhões vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto, que é uma ONG de propriedade de Karina Ferreira da Gama, nega irregularidades.

Na ocasião, a polícia requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras realizadas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas, está a possibilidade de que parte dos recursos possa ter sido direcionada aos cofres da Go Up durante a produção de Dark Horse.