Bolsa Família era “bolsa-farelo” para Flávio Bolsonaro: Renan expõe passado do candidato e refresca memória do eleitor
Senador lembra sua atuação na criação do Bolsa Família e reproduz postagem em que o candidato bolsonarista chamou de “bolsa-farelo” um programa de auxílio às famílias pobres do Rio
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) recorreu à memória das redes sociais para confrontar o discurso de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Em publicação sobre o segundo turno, o parlamentar alagoano relembrou sua participação na criação do Bolsa Família e reproduziu uma postagem de 2011 na qual o então deputado estadual utilizou a expressão depreciativa “bolsa-farelo” para atacar um programa de transferência de renda.
A mensagem termina com uma provocação ao candidato bolsonarista: “Mas a memória do povo tem print.”
No card, Renan aparece com uma camisa da seleção brasileira, um boné com o nome de Lula e a mão formando a letra L. Ao lado da imagem, o senador destaca sua atuação na implantação do programa federal:
“Em 2003, fui relator do Bolsa Família. Tenho orgulho de ter ajudado a tirar o Brasil do Mapa da Fome.”
O registro histórico confirma a relatoria. Segundo a Agência Senado, Renan apresentou parecer favorável à Medida Provisória nº 132/2003, que criou o Bolsa Família e foi aprovada pelo Senado em 19 de dezembro daquele ano.
Na sequência, a publicação contrapõe essa atuação ao posicionamento de Flávio. O print reproduzido no card traz a data de 24 de novembro de 2011, às 9h02, e registra a seguinte mensagem:
“Aprovado bolsa-farelo estadual no RJ, por 54 votos a 1: o meu contrário ao clientelismo eleitoreiro.”

A referência específica daquele registro é ao Renda Melhor, programa estadual do Rio de Janeiro que complementava a renda de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Embora vinculadas ao combate à pobreza, as duas iniciativas eram distintas.
Renan interpreta a expressão usada pelo adversário de Lula como desprezo pela proteção social. “Em 2011, ele chamou de ‘bolsa-farelo’ o prato de comida das famílias pobres do Rio”, afirma o card.

O resgate ocorre em um momento em que o histórico de Flávio sobre programas sociais voltou ao centro da campanha presidencial. Reportagem do Estadão, reproduzida pelo UOL, identificou a exclusão de publicações antigas nas quais ele criticava benefícios e empregava a expressão “bolsa-farelo”. O levantamento foi possível porque o jornal havia preservado um arquivo das mensagens.
Entre os registros estavam críticas tanto ao Renda Melhor quanto ao Bolsa Família. Atualmente, Flávio afirma que manterá o benefício federal caso seja eleito e declarou, em vídeo divulgado na segunda-feira (19), que o pagamento está garantido.
É essa diferença entre o discurso atual e os registros do passado que a postagem de Renan coloca diante do eleitor. Ao recuperar a declaração, o senador defende que a avaliação dos candidatos considere também suas posições anteriores sobre políticas que garantem alimentação e renda às famílias mais vulneráveis.