Instituto Tomie Ohtake apresenta Profanações, individual de Pablo Lobato
Videoinstalação reúne três filmes de Pablo Lobato em uma obra que articula imagem, som e arquitetura
O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam, de 19 de março a 24 de maio de 2026, a exposição Profanações, individual de Pablo Lobato, com texto curatorial assinado por Moacir dos Anjos. Concebida como uma videoinstalação, a mostra reúne três filmes realizados entre 2011 e 2015 – Bronze revirado, Folia e Corda – apresentados em conjunto como uma única obra que articula imagem, som e arquitetura. A exposição acontece paralelamente às mostras Existe uma vida inteira que tu não conhece, do artista carioca Allan Weber, e Etcétera, que revisita os cinquenta anos de carreira do arquiteto Isay Weinfeld.
Exposta em uma das salas do grande hall do Instituto, Profanações começa antes mesmo das projeções. Para entrar, o público é convidado a retirar os sapatos e atravessar um corredor e uma antessala que funcionam como zona de transição. O percurso, marcado por penumbra, curvas, variações de luz e estímulos táteis, desacelera o corpo e prepara a percepção para a experiência que se constrói no interior da sala.
No espaço principal, três projeções se alternam continuamente. Mais do que a exibição sucessiva de vídeos, configura-se um ambiente imersivo no qual imagem e som estabelecem um campo compartilhado de duração. A alternância das projeções, assim como a articulação sonora entre elas, cria um fluxo contínuo no qual pausas, repetições e variações tornam-se elementos estruturais. O visitante é convidado a ajustar seu próprio tempo de permanência, estabelecendo uma relação ativa com o que vê e escuta.
Os três trabalhos que compõem Profanações foram realizados em contextos distintos e têm em comum a presença de práticas e rituais religiosos. A aproximação entre eles, proposta ao artista por Moacir dos Anjos, evidencia um ponto de contato no qual o religioso aparece atravessado por deslocamentos e gestos cotidianos.
“Sem subtrair dos três filmes sua integridade ou autonomia, Profanações os reconfigura a partir de um território concebido para acolhê-los e, assim, transformá-los em partes de uma obra distinta. Um trabalho que evidencia como, em situações diversas, borram-se os limites entre o religioso e o mundano. Trata-se de um ambiente poroso, de onde brotam, em gestos e vozes de tantas gentes, memórias das violências, resistências e crenças que marcaram – e ainda marcam – a história do Brasil”, afirma Moacir dos Anjos no texto curatorial.
“Eu não me oriento por temas ao realizar meus trabalhos. Bronze revirado, Folia e Corda foram feitos em momentos distintos e em contextos bastante diferentes. Em cada um deles eu estava diante de práticas e rituais religiosos, mas não havia, da minha parte, a intenção de tratar o religioso como um eixo comum. Foi o Moacir dos Anjos quem primeiro propôs aproximar essas três obras e, a partir dessa leitura, tornou-se mais evidente que elas tocam o religioso justamente no ponto em que algo se desloca”, afirma Pablo Lobato.
A exposição Profanações é uma realização do Ministério da Cultura, da Claroescuro e do Instituto Tomie Ohtake, por meio da Lei Rouanet. Conta com o apoio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake, e com o patrocínio das empresas Supermix e MR Mineração, além do apoio da Luciana Brito Galeria.
Sobre o artista
Pablo Lobato (1976, Bom Despacho, MG) vive e trabalha em Belo Horizonte. Sua pesquisa não se restringe a uma única linguagem ou meio, operando de maneira colaborativa de acordo com cada material, situação ou contexto. Dessa forma, a articulação entre seus trabalhos está mais preocupada com o despertar sensorial do que com qualquer regra de controle. Sua formação em artes, cinema e fotografia o coloca numa posição híbrida de experimentação das potencialidades do “fazer ver” e de cada evento sugerido, promovendo um forte diálogo entre as narrativas do cinema, da fotografia, do vídeo e das artes visuais.
Graduado em arte pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, com especialização em cinema e fotografia, Pablo Lobato é um dos criadores da Teia – Centro de Pesquisa Audiovisual, em Belo Horizonte. Já recebeu mais de vinte prêmios por sua produção cinematográfica, como o Prêmio Aquisição no 6º Festival É Tudo Verdade, pelo documentário Mira, em 2001. Em 2006, dirigiu o longa-metragem Acidente, premiado na categoria Melhor Documentário Ibero-Americano em Guadalajara, México. Foi selecionado pelo projeto Bolsa Pampulha, em 2008, e pelo John Simon Guggenheim Memorial Foundation, Nova York, em 2008/2009. Em 2009/2010, foi contemplado com o Prêmio Marcantonio Vilaça, da Fundação Nacional de Artes. Suas obras já foram apresentadas em mostras individuais, como Da natureza das coisas, em 2016, no Museu de Arte do Rio de Janeiro. Entre as mostras coletivas, destacam-se as realizadas em espaços consagrados, como Espaço Cultural Porto Seguro, São Paulo (2019); Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2018); Itaú Cultural, São Paulo (2017); 5ª Bienal de Curitiba (2015); 10ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2015); 2ª Bienal de Montevideo, Uruguai (2014); Festival Sesc_Videobrasil, São Paulo (2013); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2013); Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011); Museum of Modern Art, EUA (2009); Museo Tamayo Arte Contemporáneo, México (2009); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Espanha (2008). Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas como: Fundação Joaquim Nabuco, Recife; Fondation Hippocrène, França; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte; Museu de Arte do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Sharjah Art Foundation, Emirados Árabes Unidos.