ASTRONOMIA

Filamento gigante de galáxias revela a maior estrutura rotativa já vista no Universo

Descoberta de filamento com 49 milhões de anos-luz sugere novo entendimento sobre a rotação galáctica e a teia cósmica.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/12/2025 às 06:13
Filamento de galáxias com 49 milhões de anos-luz é a maior estrutura rotativa já registrada no Universo. © Foto / RubinObs/NOIRLab/SLAC/NSF/DOE/AURA

Astrônomos identificaram um filamento colossal de galáxias, com 49 milhões de anos‑luz de extensão, girando como um tornado cósmico. Trata-se da maior estrutura rotativa já observada no Universo, oferecendo pistas inéditas sobre como a teia cósmica influencia a rotação e o crescimento das galáxias.

Segundo a física Lyla Jung, da Universidade de Oxford, o achado é extraordinário pela combinação entre o alinhamento das galáxias e o movimento rotacional do próprio filamento. Ela compara o fenômeno a um brinquedo de xícaras giratórias: cada galáxia roda individualmente, mas toda a plataforma também gira, o que pode explicar como as galáxias adquirem sua rotação.

A teia cósmica, composta por filamentos de matéria escura, funciona como a espinha dorsal do Universo, moldando a distribuição e o deslocamento das galáxias. Esses filamentos atuam como rodovias cósmicas, guiando o fluxo de matéria e revelando a estrutura de larga escala que sustenta o cosmos desde o Big Bang.

O filamento foi inicialmente detectado pelo radiotelescópio sul-africano MEERKat, no levantamento MIGHTEE. A cerca de 440 milhões de anos‑luz da Terra, os pesquisadores encontraram 14 galáxias alinhadas de forma incomum, distribuídas ao longo de uma estrutura extremamente fina e alongada, o que motivou uma investigação mais aprofundada.

Com dados adicionais do Sloan Digital Sky Survey e do instrumento DESI, a equipe identificou outras 283 galáxias na mesma região e alinhadas da mesma forma. A organização tão precisa sugeria a presença de um filamento de matéria escura, cuja detecção direta é notoriamente difícil.

A análise do desvio para o vermelho revelou que um lado do filamento se aproxima e o outro se afasta, indicando rotação. A velocidade estimada, cerca de 110 km/s, coincide com previsões da Teoria do Torque de Maré, segundo a qual irregularidades gravitacionais no Universo primordial conferiram momento angular aos filamentos em formação.

O filamento contém gás hidrogênio neutro e difuso, e as galáxias associadas são ricas em hidrogênio, sugerindo que essas estruturas podem fornecer combustível para a formação estelar. O alinhamento das galáxias reforça a hipótese de que os filamentos transferem momento angular para elas, ajudando a explicar a origem da rotação galáctica.