FUTEBOL BRASILEIRO

Palmeiras e outros clubes defendem gramado sintético e rebatem críticas

Em nota conjunta, cinco clubes destacam benefícios da grama artificial e criticam 'narrativas distorcidas' sobre o tema

Publicado em 11/12/2025 às 10:17
Gramata sintética Ilustração IA

As recentes críticas ao uso do gramado sintético nos estádios brasileiros ganharam resposta nesta quinta-feira (13). O Palmeiras, ao lado de Athletico Paranaense, Atlético-MG, Botafogo e Chapecoense, divulgou uma nota conjunta defendendo a adoção da tecnologia e contestando as avaliações negativas.

"Diante das recentes declarações públicas sobre a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro, Athletico Paranaense, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras reafirmam sua posição em defesa dessa tecnologia, adotada de forma responsável e regulamentada", diz o comunicado, publicado nas redes sociais.

O debate ganhou força após protestos de jogadores e do Flamengo, que se posicionaram contra o piso artificial. A tendência, porém, é que o número de estádios com grama sintética aumente no Campeonato Brasileiro de 2026, já que além de Palmeiras (Allianz Parque), Botafogo (Nilton Santos) e Atlético-MG (Arena MRV), Athletico Paranaense (Ligga Arena) e Chapecoense (Arena Condá) retornaram à elite e também utilizam o sistema. O Vasco, em reforma no São Januário, deve mandar jogos no estádio do Botafogo.

Durante coletiva em Doha, no Catar, o técnico Filipe Luís, do Flamengo, voltou a criticar o sintético: "Que campeonato da Europa tem seis clubes que vão jogar no campo sintético? Isso desvaloriza o produto, faz com que menos espectadores ao redor do mundo queiram assistir (aos jogos). Para a saúde dos atletas, o ideal é que eles joguem em gramados naturais de boa qualidade", afirmou, citando ainda a qualidade dos campos na final da Libertadores e nos estádios do Catar.

A polêmica levou a CBF a anunciar a criação de uma equipe para discutir a qualidade dos gramados, incluindo os sintéticos. Uma das possibilidades é a definição de novos parâmetros e incentivos para adaptação dos clubes.

Neste ano, nomes como Neymar, Thiago Silva e Lucas Moura lideraram uma campanha contra o sintético, criticando a adoção do piso por dirigentes, técnicos e atletas. O Flamengo, principal voz contrária, propôs à CBF que proibisse o uso do artificial no projeto de fair play financeiro, mas a ideia foi rejeitada.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, argumenta que o sintético gera desequilíbrio financeiro e prejudica a saúde dos atletas. Apesar da recusa da CBF, o tema segue em debate, com a possibilidade de criação de um grupo de trabalho para analisar o assunto.

Veja a nota completa dos clubes:

"Diante das recentes declarações públicas sobre a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro, Athletico Paranaense, Atlético, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras reafirmam sua posição em defesa dessa tecnologia, adotada de forma responsável, regulamentada e alinhada às melhores práticas internacionais.

Em primeiro lugar, é imprescindível reconhecer que não existe padronização de gramados no Brasil. Ignorar esse fato e direcionar críticas exclusivamente aos gramados sintéticos reduz um debate complexo a uma narrativa simplificada, injusta e tecnicamente equivocada.

Também reiteramos que um gramado sintético de alta performance supera, em diversos aspectos, os campos naturais em más condições presentes em parte significativa dos estádios do país.

É igualmente importante esclarecer que não há qualquer estudo científico conclusivo que comprove aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos.

O tema da qualidade dos gramados é legítimo, saudável e necessário. Porém, deve ser conduzido com responsabilidade, dados objetivos e conhecimento técnico, e não com narrativas que distorcem a realidade, desinformam o público e desconsideram a complexidade do assunto."