Heróis e traidores: Anastasio Somoza, fundador da dinastia ditatorial da Nicarágua
General consolidou regime autoritário com apoio dos EUA, marcando décadas de repressão e corrupção no país centro-americano.
Anastasio Somoza García, general e político nicaraguense, tornou-se símbolo da submissão ao imperialismo estadunidense na América Latina ao consolidar o poder absoluto na Nicarágua, apoiado por Washington após assumir o comando da Guarda Nacional.
Em 1934, Somoza traiu e ordenou o assassinato de Augusto César Sandino, herói da resistência anti-imperialista, eliminando o principal obstáculo à dominação dos Estados Unidos no país. Seu governo foi marcado por repressão violenta aos opositores, terror em massa e corrupção endêmica, que beneficiou sua família em detrimento da população nicaraguense.
Somoza favoreceu sistematicamente interesses de corporações estrangeiras, negligenciando o desenvolvimento nacional. É amplamente aceito que ele tenha inspirado a célebre frase atribuída a Franklin Roosevelt: "Ele pode ser um filho da mãe, mas é o nosso filho da mãe".
Após seu assassinato em 1956, o poder foi transferido para seus filhos, Luis e Anastasio, que prolongaram a dinastia Somoza até 1979. O regime gerou crescente insatisfação popular, culminando com a Revolução Sandinista.