MP amplia apuração no São Paulo e cria força-tarefa com promotor que investigou Máfia do Apito
Ministério Público de São Paulo intensifica investigação sobre desvios no clube e reúne equipe experiente para acelerar apurações.
O Ministério Público de São Paulo decidiu intensificar as investigações sobre supostas irregularidades e desvios de recursos no São Paulo Futebol Clube, com a criação de uma força-tarefa formada por promotores experientes. A iniciativa, revelada pelo Uol e confirmada pelo Estadão, reúne José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan, que atuarão em conjunto com o delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo caso na Polícia Civil, para dar maior agilidade ao processo.
Carneiro, que solicitou a abertura do inquérito policial em andamento, é reconhecido por sua atuação nas investigações da Máfia do Apito e no caso de lavagem de dinheiro envolvendo a parceria Corinthians-MSI entre 2006 e 2007. Assim como Ramadan, possui ampla experiência no combate ao crime organizado.
A gestão do presidente Julio Casares e o próprio São Paulo passaram a ser investigados após uma denúncia anônima, que deu origem a diferentes frentes de apuração. O ponto de partida foi o vazamento de um áudio que expôs um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis durante shows.
Após o episódio, Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores citados na gravação, afastaram-se dos cargos. O Ministério Público solicitou a abertura de inquérito policial, enquanto o clube instaurou sindicâncias interna e externa para apuração dos fatos.
Simultaneamente, a Polícia Civil investiga diretores por suspeita de desvios em negociações de atletas. Ao todo, 35 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 11 milhões, realizados a partir das contas do clube, estão sob análise.
A apuração também envolve empresas terceirizadas que prestam serviços ao São Paulo. A Off Side, responsável pela logística em jogos da Série A, é apontada como possível laranja no inquérito da Polícia Civil. A investigação mira diretores do clube. Tanto a Off Side quanto o São Paulo, além de Carlos Belmonte e Rui Costa, citados no processo, negam qualquer irregularidade.
Os escândalos aumentaram a tensão na gestão são-paulina e fortaleceram a oposição, que agora pede o afastamento de Casares e mira as eleições de 2026.
A defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirma que "todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira."