'Não tinha quem o protegesse', diz Cafu sobre geração de Neymar na seleção
Capitão do penta afirma que Neymar carregou responsabilidade sozinho e compara cenário ao de Messi na Argentina.
O ex-lateral Cafu, capitão da seleção brasileira campeã do mundo em 2002, destacou em entrevista ao podcast Podpah a falta de proteção e apoio a Neymar durante sua trajetória na seleção. Segundo Cafu, diferentemente do que ocorria em sua geração, o craque brasileiro ficou sobrecarregado por não ter companheiros à altura para dividir as responsabilidades em campo.
"Se o Ronaldo estivesse mal, o Ronaldinho resolvia, o Rivaldo resolvia, e resolvia mesmo. Se os três estivessem mal, em uma cobrança de falta o Roberto Carlos resolvia. Se os quatro estivessem mal, em uma bola parada o Roque Júnior, o Lúcio ou Edmilson faziam um gol de cabeça. Nós tínhamos várias opções para resolver o jogo", relembrou Cafu, ao comparar as seleções de 2002 e a atual.
O ex-capitão afirmou que Neymar passou mais de uma década acumulando funções e pressões. "Ficamos durante 15 anos jogando uma responsabilidade nas costas do Neymar. Ele não teve ninguém à altura dele, alguém que pudesse dividir uma responsabilidade com ele dentro de campo. Ele passou 15 anos tendo que bater falta, bater escanteio, brigar com o juiz, brigar com o torcedor, com o treinador e com a imprensa", avaliou.
Para Cafu, a diferença técnica entre Neymar e outros jogadores da seleção impediu o Brasil de brigar de igual para igual por títulos. "O Neymar veio em uma geração onde a linha de raciocínio dele era 10 vezes na frente dos outros", observou.
Ele reconhece uma evolução recente, com mais jogadores em destaque internacionalmente, mas ressalta que ainda falta "protegerem" Neymar, citando a Argentina como exemplo, que ajustou o posicionamento de seus atletas para dar suporte a Messi na conquista do último Mundial.
"Em 2002 nós falávamos: 'vamos jogar para o Ronaldo e o Rivaldo', e proteger o Ronaldinho. 'Se você apanhar lá, nós vamos bater aqui, se diverte'. O Neymar veio em uma geração que não tinha quem o protegesse, porque talvez ele auto se protegia, queria ter essa força para se proteger sozinho, mas não conseguia", relatou Cafu.
Cafu também destacou o respeito dos argentinos por Messi. "O respeito que a seleção argentina tinha pelo Messi. Enquanto o Messi não passasse por todo mundo, ninguém entrava em campo", afirmou.
Por fim, o capitão do penta ressaltou a grandeza de Neymar em relação a outros nomes do futebol mundial. "Do meu ponto de vista, o Neymar é maior que o Messi, só que talvez o comprometimento do Messi seja diferente. Mas dessas últimas gerações, o Neymar é maior que todo mundo, que Cristiano Ronaldo, que Mbappé. Tem mais recurso, sem sombra de dúvidas, qualidade técnica", concluiu.