Sindjornal repudia ataques machistas contra jornalista e árbitras durante jogo entre CSE e CSA
Entidade afirma que profissionais foram hostilizadas por torcedores em Palmeira dos Índios e cobra apuração rigorosa dos fatos
O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram uma nota pública de repúdio após episódios de ataques machistas e violência verbal registrados durante a partida entre CSE e CSA, realizada neste domingo, em Palmeira dos Índios.
Segundo a nota, a jornalista Nathalia Máximo e as árbitras da partida teriam sido alvo de hostilizações e ofensas discriminatórias vindas de um grupo de torcedores presentes no estádio. Entre as frases relatadas estariam expressões como “futebol não é lugar pra mulher”, “vai pra cozinha” e “vai lavar roupa”.
As entidades classificaram os episódios como “inaceitáveis” e afirmaram que as agressões revelam uma cultura de intolerância e violência de gênero que precisa ser combatida dentro do esporte e da sociedade.
De acordo com o documento, Nathalia Máximo relatou o ocorrido ao vivo durante a cobertura jornalística da partida, enquanto a Polícia Militar precisou ser acionada para conter a situação.
“O esporte, o jornalismo e todos os espaços da sociedade devem ser ambientes de respeito, igualdade e inclusão. Nenhuma mulher deve ser constrangida, intimidada ou desrespeitada por exercer sua profissão ou ocupar espaços historicamente marcados pelo machismo”, destaca trecho da nota.
O Sindjornal também manifestou solidariedade à jornalista e às árbitras envolvidas no episódio, afirmando que ataques dessa natureza atentam contra a dignidade das mulheres e não podem ser tratados como algo normal dentro do ambiente esportivo.
Na manifestação, a entidade cobrou ainda providências das autoridades competentes, das entidades esportivas e dos clubes envolvidos para que haja apuração dos fatos e adoção de medidas educativas e punitivas.
A repercussão do caso ocorre em meio ao clima tenso que marcou a partida entre CSE e CSA, realizada no Estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios.
O posicionamento da Fenaj e do Sindjornal reforça o debate sobre a presença feminina no jornalismo esportivo e na arbitragem, setores historicamente marcados por resistência e preconceito contra mulheres profissionais.
Ao final da nota, as entidades afirmam que “o silêncio diante dessas práticas apenas fortalece a intolerância” e defendem uma atuação coletiva no combate à misoginia e ao preconceito.