Líder indígena Tanawi Xucuru Kariri esclarece processo de indenizações no território Xucuru-Kariri em Palmeira dos Índios
O líder indígena Tanawi Xucuru Kariri divulgou nesta sexta-feira (19) outro vídeo em que esclarece informações sobre o processo de indenizações a ocupantes de terras no território Xucuru-Kariri, após a publicação no Diário Oficial da União que instituiu a comissão de pagamento e a chamada “comissão de boa-fé”.
Segundo Tanawi, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) já está autorizada a efetuar os pagamentos, e o procedimento será iniciado com prioridade para aqueles que procuraram diretamente a coordenação da FUNAI ou mantiveram contato com ele em Brasília. Posteriormente, os demais interessados também serão contemplados no andamento do processo.
Refutação a acusações de “fake news”
Durante sua fala, Tanawi rebateu críticas feitas em um vídeo pelo advogado de Palmeira dos Índios Adeilson Bezerra, que o acusou de divulgar informações falsas. O líder indígena classificou a acusação como equivocada e afirmou que os dados sobre o Diário Oficial são públicos e de acesso a qualquer cidadão.
“Fake news é isso que ele está fazendo. O que falei é verdade, está no Diário Oficial e todos podem consultar. Ele age de má fé”, disse. Tanawi ainda acusou o advogado de envolvimento em aquisições ilegais de terras indígenas no município e ressaltou que, como profissional da lei, ele teria plena consciência da irregularidade dessas práticas.

Defesa da boa-fé no processo
O representante do povo Kariri destacou que não possui desavenças pessoais com os ocupantes de áreas no território indígena e reafirmou que sua luta é para que o processo de indenizações ocorra “da melhor forma e com boa-fé”.
“Eu não sou um mau indígena, sou um indígena bonzinho”, concluiu, em tom conciliador, reforçando a defesa de um diálogo transparente e baseado na legalidade.
Contexto
O território Xucuru-Kariri, localizado em Palmeira dos Índios, é uma área historicamente marcada por disputas de posse e ocupações irregulares. A criação da comissão de boa-fé e a autorização da FUNAI para indenizações representam um passo significativo no processo de regularização fundiária e de garantia dos direitos do povo indígena, ao mesmo tempo em que busca assegurar compensações aos ocupantes não indígenas que se enquadrem nos critérios estabelecidos.