Brasil ganha maior fábrica de mosquitos para combater dengue
Planta em Campinas pode fazer 190 milhões de insetos por semana
OBrasil ganhou a maior fábrica do mundo para produção de mosquitos com Wolbachia, tecnologia biológica para controle da dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
A estrutura, pertencente à multinacional britânica de biotecnologia Oxitec, fica em Campinas, no interior de São Paulo, e foi inaugurada oficialmente nesta quinta-feira (2), em meio ao aumento dos casos de dengue no mundo.
A instalação está pronta para operar e abastecer não apenas o Brasil, mas também outros países da América Latina e da Ásia-Pacífico, com capacidade de produção de até 190 milhões de mosquitos por semana, porém ainda aguarda desde março o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Wolbachia é uma bactéria presente em 60% dos insetos e que, quando injetada no mosquito Aedes aegypti, impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika, chikungunya e outras arboviroses, reduzindo a transmissão dessas doenças.
A técnica é considerada uma substituição populacional, ou seja, os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente para se reproduzir com os chamados "selvagens". Desta forma, a bactéria é repassada aos descendentes, até que a maioria dos mosquitos seja formada por aqueles que não transmitem os vírus.
Em Campinas, a produção consistirá em caixinhas com ovos de mosquito com Wolbachia e uma dieta específica para o desenvolvimento das larvas até a fase adulta. Quando chegarem nesse estágio, os insetos estarão prontos para deixar a caixa por meio de pequenos furos no topo da embalagem e iniciar o processo de acasalamento.
De acordo com a Oxitec, o método é eficaz e pode ser levado para qualquer lugar do Brasil e do mundo, incluindo a Itália, que tem reportado um aumento nos casos de doenças tropicais devido ao aquecimento global.
"A grande vantagem dessa tecnologia é a logística. Hoje, se a Itália quiser implementar o método Wolbachia, ela não precisa investir em uma grande fábrica local para poder produzir. Ela pode comprar daqui, do Brasil, e a gente manda as caixinhas para lá", declarou Natália Ferreira, diretora-geral da Oxitec Brasil, à ANSA.
A executiva destacou, porém, que a Wolbachia é uma bactéria que tem diferentes linhagens, então é preciso identificar a mais apropriada para cada país, levando em consideração a temperatura.