COOPERAÇÃO

Brasil e Estados Unidos discutirão cooperação em minerais críticos, anuncia ministro de Minas e Energia

Alexandre Silveira afirma que convite marca nova fase nas relações bilaterais e defende soberania sobre riquezas minerais brasileiras

Publicado em 15/10/2025 às 14:23
Ministro Alexandre Silveira Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (9) que o Brasil foi convidado pelos Estados Unidos para uma reunião sobre minerais críticos, insumos considerados estratégicos para a transição energética global. O encontro, segundo ele, simboliza o início de uma nova fase de cooperação entre os dois países, após o recente diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

“Depois desse restabelecimento de diálogo com Trump, estou convidado pela primeira vez para discutir com o secretário de Minas e Energia dos Estados Unidos. Fui convidado para uma reunião sobre minerais críticos. Tenho certeza de que essa relação se dará de forma altiva e respeitando os interesses do povo brasileiro”, afirmou Silveira, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados.

O ministro destacou que o governo brasileiro pretende garantir a soberania nacional sobre as riquezas minerais e anunciou que o presidente Lula participará, nos próximos dias, da cerimônia de instalação do Conselho Nacional de Minerais Estratégicos, que funcionará no Ministério de Minas e Energia. O colegiado será responsável por coordenar políticas voltadas ao aproveitamento de insumos de alto valor tecnológico.

Entre os chamados minerais críticos estão o lítio, o nióbio, o cobre e as terras raras, essenciais para a produção de baterias, semicondutores e painéis solares. O tema ganhou destaque nas disputas geopolíticas entre Estados Unidos e China, e o Brasil é apontado como um dos países com maior potencial de ampliar a oferta desses recursos de forma sustentável.

Nos últimos anos, Washington tem buscado firmar parcerias bilaterais para reduzir a dependência de cadeias produtivas chinesas. O Brasil, por sua vez, tenta equilibrar sua aproximação com os EUA e os acordos técnicos já firmados com China e Índia, que também demonstram interesse nas reservas brasileiras de lítio e nióbio.

“O Brasil tem papel fundamental nesse tabuleiro global e não abrirá mão de agregar valor à sua produção”, afirmou o ministro.

Energia e infraestrutura

Durante a audiência, Silveira também comentou o apagão que atingiu sete estados na madrugada de terça-feira (8). Ele negou que o episódio represente falha estrutural no sistema elétrico e disse que a rede respondeu de forma “matemática”.

“Não tivemos apagão em nosso governo. É um equívoco chamar de apagão um episódio em que não houve interrupção total de energia. Tivemos duas interrupções parciais, e o sistema funcionou muito bem — tanto que impediu que hospitais fossem atingidos”, disse o ministro.

Segundo ele, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico foi acionado imediatamente, e o fornecimento foi restabelecido em cerca de uma hora e meia.

A convocação de Silveira foi feita por parlamentares da oposição, que pediram explicações sobre denúncias envolvendo suposto uso do território brasileiro em fraudes nas exportações de petróleo da Venezuela, o desaparecimento de urânio em instalações nacionais e os gastos socioambientais da Itaipu Binacional após a quitação de sua dívida histórica.