Presidente do Equador defende proposta de instalar bases estrangeiras no país
O presidente do Equador, Daniel Noboa, defendeu em uma entrevista de rádio nesta terça-feira (28) que futuras bases militares estrangeiras no país não implicará em uma "entrega de soberania", como afirmam os críticos das propostas.
Segundo ele, esses espaços serão locais estratégicos para a segurança e o controle ambiental, acrescentando ainda que os acordos serão regidos estritamente pelas leis nacionais e permanecerão sob controle do governo.
No entanto, Noboa confirmou que a decisão final será tomada pela população em um referendo no dia 16 de novembro. O presidente afirmou que os locais ideais para o projeto seriam a Ilha Baltra, nas Galápagos, e Salinas, na província de Santa Elena.
Embora tenha defendido que o principal objetivo dessas bases é fortalecer a vigilância marítima e combater diversas atividades ilícitas, ele também admitiu que as bases poderiam envolver países com interesses específicos na região, mencionando o interesse dos Estados Unidos em controlar o fluxo de drogas em direção ao seu território e garantir a segurança fronteiriça.
O Equador não abriga nenhuma base militar dos Estados Unidos desde que o então presidente Rafael Correa decidiu não renovar o acordo que permitia a Washington operar uma Base de Operações Avançada (FOL) na Base Aérea de Manta, programa que funcionou de 1999 a 2009.
O embaixador dos EUA no Equador, Art Brown, esteve no arquipélago de Galápagos, em março de 2025, que salientou a importância de fazer acordos de cooperação em segurança — alguns meses após o Conselho de Governo das Galápagos ter aprovado, pela primeira vez, a entrada de navios de guerra norte-americanos nas ilhas, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
Com localização estratégica, o arquipélago pode ter tanto uma função de "defesa hemisférica" — com foco no Canal do Panamá e no Porto de Chancay, no Peru — como uma função "ofensiva" de vigilância e controle das rotas marítimas rumo ao Pacífico Sul.