ACORDO NUCLEAR

AIEA: Irã mantém seu compromisso com a não proliferação apesar das sanções

Por Sputinik Brasil Publicado em 29/10/2025 às 19:07
© AP Photo / Emissão da República Islâmica do Irã

o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (29), que o Irã está disposto a seguir com o compromisso de não enriquecer urânio para fins bélicos.

"É outro caso em que foi ativado o snapback [mecanismo de resposta automática], se pudermos chamá-lo assim. O Irã respondeu declarando que examinaria a cooperação conosco. No entanto, devo destacar que reiteraram sua disposição, sua vontade e sua convicção de permanecer dentro do regime de não proliferação", declarou ele.

Da mesma forma, ele afirmou que a AIEA mantém conversas com o Irã para poder inspecionar suas instalações nucleares destruídas pelos ataques dos Estados Unidos neste ano.

"Estamos retomando as atividades gradualmente. Não estamos inspecionando as instalações de Natanz, Isfahan e Fordo, que foram atacadas ou destruídas. Para deixar claro, estamos em conversas com o Irã", disse.

Além disso, acrescentou que o organismo não observa indícios de que o país esteja realizando trabalhos de enriquecimento de urânio nessas áreas.

No final de setembro, Reino Unido, França e Alemanha voltaram a impor as sanções contra o Irã, alegando que o país violou o acordo nuclear de 2015, que visava impedir o desenvolvimento de armas nucleares. O Irã nega buscar esse tipo de armamento, mas a medida reacende tensões no Oriente Médio, especialmente após recentes bombardeios de Israel e dos EUA a instalações iranianas.A Rússia se opôs fortemente à reimposição das sanções, classificando-a como ilegal e alertando o secretário-geral da ONU, António Guterres, para não reconhecer a medida. Moscou argumenta que o retorno das sanções compromete os esforços diplomáticos e pode agravar ainda mais a instabilidade regional.

Na noite de 22 de junho, os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas em Natanz, Fordow e Isfahan. Foram utilizadas bombas de destruição de bunkers GBU-57A/B Massive Ordnance Penetrator, necessárias para Israel atingir suas instalações subterrâneas mais profundas.

A economia iraniana já sofre com sanções norte-americanas desde 2018, quando o presidente norte-americano Donald Trump, em seu primeiro mandato, abandonou o acordo nuclear. A moeda iraniana atingiu um novo recorde de desvalorização, refletindo o temor de novas medidas punitivas. A instabilidade cambial agrava ainda mais a crise econômica no país.

A Rússia se opôs fortemente à reimposição das sanções, classificando-a como ilegal e argumenta que o retorno das sanções compromete os esforços diplomáticos e pode agravar ainda mais a instabilidade regional.

Parceiros de longa data, Rússia e Irã Teerã e Moscou firmaram novo contrato recenetemente para a construção de quatro novas usinas nucleares na província iraniana de Hormozgan. O maior projeto nuclear russo-iraniano até o momento é a usina nuclear de Bushehr.

Em novembro de 2014, a Rússia e o Irã expandiram a cooperação no campo do uso pacífico da energia nuclear e construção de oito usinas nucleares de alta potência no Irã usando tecnologia russa.

A primeira unidade, com capacidade de 1.000 MW, foi conectada à rede elétrica nacional pela primeira vez em 2011. A construção da segunda fase — unidades dois e três, com capacidade combinada de 2.100 MW — começou em 2016 e tem duração prevista de 10 anos.