SEGURANÇA PÚBLICA

Polícia do Rio divulga hoje identidade de parte dos mortos em megaoperação

Coletiva apresentará lista parcial dos mortos, fichas criminais e origem dos suspeitos; denúncias apontam precariedade no IML

Publicado em 31/10/2025 às 10:53

A Polícia Civil do Rio de Janeiro irá apresentar, a partir das 11h desta sexta-feira (31), a lista parcial dos mortos na megaoperação realizada na última terça-feira (28). Em nota, o governo do estado informou que também serão divulgadas as fichas criminais dos suspeitos. Participam da coletiva o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, e outros representantes da instituição. Também será detalhado quais dos mortos eram de fora do Rio e seus respectivos estados de origem.

A ação policial resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais. Na noite desta quinta-feira (30), parlamentares denunciaram as condições do Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro do Rio, onde estão sendo realizados os exames de necrópsia das vítimas da operação nos complexos do Alemão e da Penha.

Segundo a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do RJ, familiares das vítimas têm dormido na porta do instituto, "convivendo com o cheiro dos corpos sem refrigeração", devido à demora na liberação dos corpos.

"O que vimos nos últimos dias é a face mais cruel da violência de Estado. Famílias estão dormindo na porta do IML, convivendo com o cheiro dos corpos dos seus entes queridos sem refrigeração. Isso não é política de segurança, é abandono estatal", afirmou Dani Monteiro durante a reunião "Rio Sem Massacre", realizada no auditório da Escola do Legislativo (Elerj).

De acordo com o governo do estado, até a tarde desta quinta-feira (30), mais da metade dos 117 corpos oficialmente contabilizados já havia sido identificada e começava a ser liberada.

O governo do Rio informou ainda que o IML está sendo usado exclusivamente para as necrópsias dos mortos da operação, enquanto o atendimento às famílias ocorre em um prédio do Detran, ao lado do instituto. Casos não relacionados à ação policial estão sendo encaminhados ao IML de Niterói, na região metropolitana.

A Defensoria Pública do Rio relatou ter sido impedida de acompanhar as perícias, mas montou uma força-tarefa com 40 profissionais para atender as famílias — 106 delas já procuraram o órgão para obter documentos, solicitar sepultamento gratuito e regularizar traslados de corpos para outros estados. A defensora Mirela Assad, da Coordenação Geral de Programas Institucionais (Cogpi), explicou que parte das dificuldades decorre da ausência de familiares para identificação dos suspeitos mortos.

A deputada Dani Monteiro acompanhou durante todo o dia a comitiva do governo federal nas comunidades da Penha, do Alemão e no IML, onde prestou acolhimento às famílias. "Direitos humanos não são obstáculos, mas a base de uma política pública séria. Nenhuma política de segurança se sustenta sobre o sangue do seu povo", declarou.

O Ministério Público do Rio de Janeiro está utilizando uma tecnologia capaz de reconstruir digitalmente os corpos, registrando com precisão todas as lesões externas e auxiliando o trabalho de investigação dos promotores.