EUA

Membro do Fed defende manutenção dos juros diante de inflação elevada

Presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, justifica voto contra corte de juros citando equilíbrio no mercado de trabalho e pressões inflacionárias persistentes

Publicado em 31/10/2025 às 11:34
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O presidente do Federal Reserve (Fed) de Kansas City, Jeffrey Schmid, justificou nesta sexta-feira, 31, sua posição contrária ao recente corte de 25 pontos-base nas taxas de juros promovido pelo banco central norte-americano. Segundo Schmid, o mercado de trabalho dos Estados Unidos permanece amplamente equilibrado, a economia segue apresentando impulso e a inflação continua em patamar elevado.

“Vejo a postura da política como apenas moderadamente restritiva. Nesse contexto, julguei apropriado manter a taxa de política na reunião desta semana”, argumentou o dirigente em declaração oficial.

Schmid destacou que há uma “preocupação generalizada” com a persistência dos aumentos de custos, especialmente nos setores de saúde e seguros, que figuram entre as principais inquietações da população. “Com a inflação ainda muito alta, a política monetária deve se opor ao crescimento da demanda para permitir espaço para que a oferta se expanda e alivie as pressões de preços na economia”, afirmou.

O presidente do Fed de Kansas City ressaltou ainda que a inflação está acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed há mais de quatro anos, o que, segundo ele, oferece “pouco conforto” mesmo diante da estabilidade das expectativas inflacionárias.

Schmid ponderou que as expectativas de inflação não são um “insumo” para as decisões do banco central, mas sim um resultado das políticas adotadas. Ele também alertou para possíveis efeitos desproporcionais das ações do Fed sobre os dois lados do seu mandato.

“Não acho que uma redução de 25 pontos-base nos juros fará muito para resolver as tensões no mercado de trabalho. No entanto, um corte pode ter efeitos mais duradouros na inflação se o compromisso do Fed com seu objetivo de 2% de inflação for questionado”, avaliou Schmid, acrescentando que as condições do mercado financeiro parecem “favoráveis” em diversos aspectos.