COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Colômbia firma parceria com Egito para combater recrutamento de mercenários

Acordo prevê ações conjuntas para investigar e punir envolvimento de colombianos em conflitos internacionais e crimes transnacionais

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 31/10/2025 às 17:17
© AP Photo / Ivan Valencia

A Colômbia e o Egito firmaram um acordo de cooperação para atuar contra o recrutamento de mercenários colombianos em conflitos ao redor do mundo. O compromisso foi selado nesta sexta-feira (31), durante encontro no Cairo entre os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Abdel Fattah al-Sisi, do Egito.

"Vamos investigar e punir os casos de mercenarismo envolvendo colombianos e sua participação em genocídios e conflitos. A polícia colombiana cooperará com as forças de segurança do Egito e de outros países árabes para desmantelar as máfias do narcotráfico, do tráfico de pessoas e do mercenarismo, que também é uma forma de escravidão moderna", escreveu Petro em sua conta na rede social X.

Segundo o presidente colombiano, o encontro também tratou da possível participação da Colômbia nos esforços de reconstrução da Faixa de Gaza. Petro afirmou ainda que, como membro do Conselho de Segurança da ONU, seu país atuará com “máxima responsabilidade” diante das crises internacionais, incluindo os conflitos no Sudão e a disputa pelo rio Nilo entre Egito e Etiópia.

O líder colombiano está em viagem diplomática pelo Oriente Médio. Antes do Egito, ele se reuniu com autoridades da Arábia Saudita e, nos próximos dias, deve visitar o Catar.

Projeto que proíbe atividades de mercenários

Nos últimos meses, a Colômbia discute um projeto de lei para proibir atividades de mercenários no país, já que a região é uma das preferidas na América Latina para o recrutamento dessas pessoas.

"Redes criminosas estão enganando colombianos, transformando-os em mercenários que lutam batalhas de outros em guerras de outros países — uma prática que leva a violações de direitos humanos e compromete a estabilidade internacional. Por isso, nós, do setor de defesa, buscamos a ratificação da convenção, o que nos permitirá combater de forma mais eficaz esse terrível mal", afirmou em nota neste mês o Ministério da Defesa da Colômbia.

No início do mês, Petro declarou que as forças ucranianas tratam mercenários colombianos como "raça inferior" e "bucha de canhão". "Peço aos mercenários colombianos que retornem imediatamente ao país", disse.

Em outra ocasião, Petro classificou as atividades mercenárias como "roubo ao país", após o embaixador russo em Bogotá, Nikolai Tavdumadze, afirmar à Sputnik que o número de colombianos que vão para a Ucrânia como mercenários permanece elevado. Diante disso, o presidente solicitou ao parlamento que considerasse com urgência um projeto de lei para proibir tais atividades.