SEGURANÇA PÚBLICA

Moradores protestam contra governo do Rio após operação policial mais letal do Estado

Manifestação ocorre após ação que deixou ao menos 121 mortos nas comunidades da Penha e do Alemão; Defensoria denuncia impedimento de acompanhamento das perícias e famílias buscam apoio para identificação e sepultamento

Publicado em 31/10/2025 às 17:38
Reprodução

Moradores do Complexo da Penha e do Alemão realizaram protestos nesta sexta-feira, 31, contra a megaoperação policial que resultou em pelo menos 121 mortos no Rio de Janeiro, tornando-se a ação mais letal já registrada no Estado.

A manifestação aconteceu poucas horas após a cúpula da segurança pública informar que 99 dos 117 mortos já foram identificados. Integrantes das comunidades classificaram a operação como uma chacina sem precedentes na história local. Por volta das 15h15, os manifestantes se concentravam na Vila Cruzeiro. Novos protestos contra o governo de Cláudio Castro e a atuação policial estavam previstos para ocorrer ainda nesta sexta-feira em outras regiões do país.

A operação provocou embates entre os governos federal e estadual, mas a tensão foi amenizada após o governador Cláudio Castro e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciarem uma parceria para o enfrentamento ao crime organizado.

Em coletiva de imprensa realizada mais cedo, o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que nove dos mortos são apontados pela polícia como chefes do tráfico em diferentes regiões do Brasil. Curi declarou ainda que as comunidades do Rio se transformaram em um "centro de treinamento" da facção criminosa, tendo os complexos da Penha e do Alemão como principais pontos de distribuição de armas e drogas. Segundo o delegado, a prisão de Doca, considerado atualmente a principal liderança do Comando Vermelho e alvo da operação, "é uma questão de tempo".

Na quinta-feira, o governo do Rio informou que o Instituto Médico Legal (IML) está sendo utilizado exclusivamente para a necropsia dos mortos da operação, com o atendimento às famílias sendo realizado em um prédio do Detran, ao lado do instituto. Casos não relacionados à ação policial estão sendo encaminhados ao IML de Niterói, na região metropolitana.

A Defensoria Pública do Rio relatou ter sido impedida de acompanhar as perícias, mas montou uma força-tarefa com 40 profissionais para prestar assistência às famílias – até o momento, 106 delas já buscaram o órgão para obter documentos, solicitar sepultamento gratuito e regularizar o traslado de corpos para outros Estados. A defensora Mirela Assad, da Coordenação Geral de Programas Institucionais (Cogpi), explicou que parte das dificuldades se deve à ausência de familiares para a identificação dos suspeitos mortos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro está utilizando uma tecnologia capaz de reconstruir digitalmente os corpos, registrando com precisão todas as lesões externas e auxiliando o trabalho investigativo dos promotores.