MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa fecha em novo recorde, impulsionado por fluxo estrangeiro e desempenho da Vale

Índice atinge 149 mil pontos pela primeira vez, com avanços em outubro e no acumulado do ano; balanço da Vale e acordo entre EUA e China animam investidores

Publicado em 31/10/2025 às 17:57
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O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (29) com o quinto recorde consecutivo de fechamento, marcando 149.540,43 pontos (+0,51%) e acumulando alta superior a 2% em outubro. O índice também renovou o recorde histórico intradia, alcançando 149.635,9 pontos (+0,58%) durante a tarde, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possível retirada de tarifas a produtos chineses, caso Pequim avance no combate ao fentanil.

O giro financeiro do pregão somou R$ 23,77 bilhões. Na semana, o Ibovespa avançou 2,30%, acumulando ganhos de 2,26% no mês e de expressivos 24,32% no ano.

Segundo César Mikail, gestor de renda variável da Western Asset, os sucessivos recordes são resultado da entrada de fluxo estrangeiro na Bolsa brasileira, motivada por um ambiente global mais propício ao risco. "O acordo entre Trump e Xi Jinping foi o principal fator de curto prazo, trazendo otimismo aos mercados globais. Além disso, os resultados das empresas americanas têm sido fortes, evidenciando a resiliência da economia dos EUA", destaca Mikail.

Ainda que investidores estrangeiros tenham retirado R$ 1,3 bilhão da Bolsa brasileira em outubro até o dia 29, os últimos cinco pregões registraram saldo positivo de entrada de recursos. No acumulado do ano, o fluxo de capital externo soma R$ 25 bilhões.

O destaque do dia ficou para o balanço da Vale, que subiu 2,27% após divulgar resultados acima do esperado. "A Vale é a cereja do bolo na performance do Ibovespa. Toda a receita extra veio da venda de minério de ferro, principalmente para a China. Se mesmo com o PIB chinês mais fraco a empresa teve bom desempenho, a expectativa é de resultados ainda melhores no próximo ano, agora com o acordo entre EUA e China", avalia Marcos Praça, diretor de Análise da Zero Markets Brasil.

No cenário doméstico, o início do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central também contribui para o apetite ao risco. A curva de juros recuou nesta sexta-feira, reagindo à divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, que apontou queda na taxa de ocupação pelo segundo mês consecutivo.

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