COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL

Haddad prevê participação crescente da Receita Federal no apoio à segurança pública

Ministro da Fazenda destaca integração entre órgãos federais e estaduais e defende ampliação de impostos sobre apostas para reforçar investimentos no setor

Publicado em 31/10/2025 às 18:11
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (31) que a participação da Receita Federal no apoio a órgãos de segurança pública deverá ser cada vez mais frequente. Segundo ele, todo o aparato da Fazenda Nacional está à disposição das forças de segurança, tanto na esfera federal, com o Ministério Público e a Polícia Federal, quanto na estadual.

"Estamos aumentando significativamente nosso nível de cooperação. Por isso, acredito que a participação da Receita Federal no apoio aos órgãos de segurança pública será cada vez mais comum, pois ela detém muitas informações", declarou Haddad.

Durante entrevista à imprensa no gabinete do ministério, em São Paulo, Haddad comentou o balanço da Operação Fronteira, divulgado nesta sexta-feira pela Receita. Ele destacou que mais de mil pistolas foram retiradas do crime organizado e revelou a descoberta de um plano de furto dessas armas, que agora estão sob a guarda das Forças Armadas.

O ministro observou ainda que, em diversos países, a Receita Federal oferece suporte a órgãos de segurança pública, já que sua atuação fiscalizatória frequentemente identifica crimes tributários e não tributários. Haddad reforçou que o Ministério da Fazenda possui órgãos capazes de contribuir com a segurança pública.

Em resposta aos comentários do presidente da Câmara, Hugo Motta, que defendeu o aumento da taxação das apostas esportivas (bets) para ampliar os investimentos em segurança pública, Haddad considerou a proposta positiva. "No mundo inteiro, produtos e serviços com externalidades negativas pagam mais impostos", afirmou.

Haddad ressaltou ainda que o combate ao crime depende da cooperação entre Legislativo e Executivo, e que boas ideias estão sendo aprimoradas por relatores no Congresso. "Quanto mais cooperarmos, mais fácil será combater o crime organizado", destacou.

Nesse contexto, o ministro lembrou que, mesmo sendo de autoria de um opositor, o senador Sergio Moro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na quinta-feira, uma lei que endurece as penas para quem tenta obstruir investigações contra organizações criminosas. "Agora, o Sergio Moro apresentou uma lei e o presidente achou por bem sancionar. O cara não pode ter uma boa ideia?", concluiu Haddad.