APURAÇÃO POLICIAL

Defensoria do Rio solicita imagens de câmeras corporais da PM e questiona falhas em operação

Órgão pede acesso às gravações da ação mais letal da história do Estado e cobra explicações sobre uso de baterias extras nos equipamentos

Publicado em 01/11/2025 às 07:46
Reprodução

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro encaminhou um ofício à Ouvidoria-Geral da Polícia Militar solicitando acesso às gravações das câmeras corporais utilizadas pelos agentes durante a megoperação realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona oeste da capital fluminense, na última terça-feira, 28. A ação policial, considerada a mais letal da história do Estado, resultou em 121 mortes.

O pedido partiu do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh), que também exige esclarecimentos sobre o uso das baterias extras das câmeras, conforme previsto em contrato firmado com a corporação.

A solicitação foi feita após o secretário da PM, coronel Marcelo Menezes, afirmar em coletiva de imprensa que parte das imagens pode ter sido perdida. Segundo Menezes, as câmeras deixaram de gravar quando as baterias se esgotaram durante a operação, que teve início ainda na madrugada e se estendeu por mais de 12 horas.

A Defensoria busca explicações sobre a disponibilização e o uso das baterias sobressalentes, seguindo as normas internas da Secretaria de Estado da Polícia Militar (SEPM). Cabe à Ouvidoria garantir o acesso aos registros produzidos pelos policiais durante as operações.

O Ministério Público do Rio (MPRJ) também determinou a análise das imagens captadas na ação. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, o conteúdo dessas gravações é considerado fundamental para esclarecer as circunstâncias das mortes e avaliar a conduta das forças policiais.