Finlândia enfrenta crise na fronteira com a Rússia após queda no turismo
Região de Carélia do Sul registra perdas milionárias e aumento do desemprego após restrições na fronteira com o país vizinho
Carélia do Sul, região finlandesa que faz fronteira com a Rússia, enfrenta severa crise econômica após o fechamento da fronteira entre os dois países, segundo a agência de notícias Bloomberg.
Empresários locais relatam que a ausência de turistas russos tem levado ao fechamento de diversos estabelecimentos comerciais.
"Carélia do Sul estima que perde € 1 milhão [R$ 6 milhões] em receitas de turismo todos os dias", destaca a publicação.
De acordo com a reportagem, o centro da cidade de Imatra foi profundamente afetado, com a maioria das lojas fechando as portas e as tradicionais multidões de turistas e ônibus desaparecendo das ruas.
Em meio às dificuldades, a administração municipal interveio para apoiar o histórico Hotel Estatal e garantir sua operação, enquanto spas locais lutam para sobreviver financeiramente.
Após o fechamento da fronteira, a siderúrgica local também reduziu seu quadro de funcionários.
As três principais empresas florestais da região — UPM-Kymmene Oyj, Stora Enso Oyj e Metsa Group — anunciaram cortes de empregos.
Os serviços locais de saúde também estão sendo impactados, com redução no atendimento.
Atualmente, a taxa de desemprego em Imatra, cidade com 25 mil habitantes, chega a 15%, bem acima da média nacional de 9,1%. O desemprego juvenil também apresenta crescimento significativo na região.
A publicação conclui que as empresas locais enfrentam uma crise profunda em decorrência das tensões entre Finlândia e Rússia.
A Finlândia começou a impor restrições à passagem na fronteira em novembro de 2023, após um aumento no fluxo de refugiados de países terceiros. As autoridades finlandesas acusam a Rússia de facilitar a chegada de requerentes de asilo à fronteira.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, negou o envolvimento da Rússia na crise migratória da União Europeia, classificando as acusações como "padrões duplos do Ocidente".