ENERGIA E INFRAESTRUTURA

ONS apresenta plano para corte emergencial em pequenas usinas para evitar apagões

Protocolo prevê restrição temporária de geração em pequenas centrais hidrelétricas e térmicas a biomassa para garantir estabilidade da rede elétrica em situações de excesso de oferta.

Publicado em 01/11/2025 às 10:46
Divulgação

Após um episódio em que quase se esgotaram as alternativas para evitar instabilidades na rede elétrica, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) elaborou um plano emergencial com procedimentos a serem seguidos caso situações semelhantes voltem a ocorrer.

O novo protocolo prevê a restrição temporária da geração em usinas de pequeno porte, principalmente Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e térmicas a biomassa, que, diferentemente das grandes usinas, são supervisionadas pelas distribuidoras e não diretamente pelo ONS.

O Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi apresentado na sexta-feira (31) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Agora, o órgão regulador analisará a proposta e poderá sugerir ajustes ou complementações. As diretrizes também serão enviadas às distribuidoras para contribuições que aprimorem a aplicação prática do plano.

A expectativa é que o procedimento esteja disponível até o fim do ano, caso seja necessário, conforme informou o diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira, em entrevista ao Estadão/Broadcast. Segundo Vieira, a probabilidade de acionamento é baixa, mas a definição do processo traz clareza sobre o protocolo a ser seguido por operador e distribuidoras em eventuais emergências.

“O que estamos discutindo é algo bastante pontual, mas fundamental para a segurança do sistema nessas situações mais atípicas, que podem ocorrer devido à expansão da mini e microgeração distribuída e às condições climáticas”, explicou o diretor.

Sinal de alerta

A necessidade do protocolo ficou clara no Dia dos Pais, em 10 de agosto, quando a baixa demanda por eletricidade, aliada à elevada geração renovável, fez a oferta superar significativamente o consumo, especialmente no meio do dia, período de maior produção solar. A situação exigiu intervenções severas do ONS: entre 13h e 13h30, o operador determinou o corte de toda a produção possível de usinas hidrelétricas, eólicas e solares.

Desde então, não houve novo episódio tão crítico, mas Vieira afirma que o ONS monitora com atenção os feriados de fim de ano, quando a demanda tende a cair por conta da redução da atividade econômica. Um novo evento poderia ocorrer se houver queda no consumo das empresas, temperaturas amenas (reduzindo o uso de ar-condicionado) e baixa nebulosidade, o que eleva a geração solar, cenário semelhante ao registrado em agosto.

O plano emergencial

Na prática, o plano prevê que o ONS possa acessar “recursos flexíveis” além das usinas hidrelétricas, eólicas e solares já sob seu controle de corte. A medida será adotada apenas em último caso, se todas as demais ações não forem suficientes para garantir a estabilidade da rede elétrica nacional.

Nesses casos, o operador comunicará previamente às distribuidoras sobre a necessidade de redução temporária da geração, cabendo à concessionária local comandar o corte no volume necessário.

Segundo Vieira, existem 20 mil megawatts (MW) de potência instalada em usinas com menos de 50 MW cada, sob supervisão de diferentes distribuidoras e classificadas como “tipo III”. Cerca de 80% dessa capacidade está concentrada em estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia e Rio Grande do Sul.

O diretor ressalta, porém, que nem toda essa potência está disponível para corte, uma vez que parte dos ativos pode não estar operando ou não responder ao comando. Um inventário será realizado em conjunto com distribuidoras e órgãos do setor para definir os detalhes.

“Tudo será discutido e estruturado para contemplar a visão de todos os atores desse processo. O importante é garantir segurança e clareza quando uma situação crítica de operação for anunciada”, conclui Vieira.