INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Anfavea celebra avanço em diálogo com China para destravar importação de semicondutores

Acordo pode evitar paralisação de fábricas no Brasil após bloqueio de chips essenciais para o setor automotivo

Publicado em 01/11/2025 às 16:50
Reprodução

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) comemorou a abertura de diálogo com a China para liberar as exportações de semicondutores ao Brasil. O governo chinês se dispôs a analisar a concessão de autorizações especiais para empresas brasileiras que enfrentam dificuldades na importação dos chips.

A iniciativa abre caminho para o fim do embargo às importações de semicondutores da Nexperia, medida que ameaçava desabastecer fornecedores de autopeças e paralisar a indústria automotiva nacional.

De acordo com comunicado feito neste sábado, 1º de novembro, à Anfavea pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, as empresas brasileiras poderão solicitar exceção ao embargo por meio da Embaixada ou diretamente junto ao Ministério do Comércio da China. Os pedidos serão avaliados individualmente para a concessão da licença de importação.

A Anfavea agradeceu o empenho do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que prontamente buscou uma solução diante dos riscos concretos ao setor automotivo apresentados pela entidade.

"A rápida resposta do governo brasileiro frente ao alerta feito pela Anfavea permitiu a abertura de canais de diálogo antes de o pior cenário se concretizar, que seria a paralisação de fábricas no país. Vamos acompanhar os desdobramentos nos próximos dias e dar suporte às empresas da cadeia de suprimentos para que possam restabelecer as compras de semicondutores o mais rápido possível e normalizar o envio de peças às fabricantes", afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Entenda o caso

Em outubro, o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, subsidiária da fabricante chinesa Wingtech. Em resposta, a China bloqueou as exportações de chips da empresa. O efeito colateral foi a interrupção do fornecimento de semicondutores da Nexperia para empresas da cadeia de autopeças no Brasil.

Esses chips são essenciais para a produção de peças utilizadas em veículos de todas as montadoras. Como há poucas fornecedoras globais de semicondutores, não existem alternativas disponíveis no mercado.

Fabricantes notificaram empresas brasileiras de que, caso a situação persistisse, a produção de peças teria de ser interrompida em poucas semanas, levando à possível paralisação das fábricas de veículos no país.

Na última terça-feira, em audiência, a Anfavea solicitou ao governo brasileiro que buscasse junto à China uma forma de excluir o Brasil do embargo.