GEOPOLÍTICA MONETÁRIA

EUA avaliam ampliar uso global do dólar para conter avanço chinês

Casa Branca discute estratégias para incentivar a adoção do dólar em países emergentes e reforçar hegemonia frente à influência da China

Por Sputnik Brasil Publicado em 02/11/2025 às 05:10
© Sputnik / Aleksei Sukhorukov / Acessar o banco de imagens

O governo dos Estados Unidos estuda estratégias para incentivar a adoção do dólar como moeda principal em países emergentes, em resposta à crescente pressão da China para reduzir o uso da moeda norte-americana. Segundo a imprensa britânica, a dolarização é considerada uma possível estratégia geopolítica.

Autoridades da administração Trump avaliam alternativas para fortalecer a presença global do dólar, buscando conter o avanço da influência chinesa nos mercados emergentes. A iniciativa tem como objetivo preservar a hegemonia financeira dos EUA diante do aumento das transações internacionais em moedas alternativas promovidas pela China.

De acordo com o Financial Times (FT), durante o verão no Hemisfério Norte, representantes do Tesouro dos EUA e da Casa Branca reuniram-se com Steve Hanke, especialista em dolarização da Universidade Johns Hopkins, para debater formas de promover essa política. Hanke afirmou que o governo norte-americano está levando a proposta a sério, embora nenhuma decisão oficial tenha sido tomada até o momento.

As discussões sobre dolarização ganharam força em meio à crise econômica da Argentina, frequentemente citada como candidata à adoção do dólar devido à instabilidade do peso. Entretanto, autoridades argentinas e norte-americanas negam que a medida esteja sendo considerada de maneira ativa. A principal preocupação dos EUA é a tentativa chinesa de reduzir o uso do dólar em transações internacionais.

Segundo Hanke, uma figura política ligada à Casa Branca expressou preocupação com essa tendência e reforçou o interesse em fortalecer o papel internacional do dólar. Esse movimento estaria alinhado com a promoção de stablecoins lastreadas na moeda norte-americana. A Casa Branca confirmou os encontros com Hanke, mas ressaltou que as discussões não representam decisões políticas oficiais.

Além da Argentina, Hanke citou outros países como possíveis candidatos à dolarização, incluindo Líbano, Paquistão, Gana, Turquia, Egito, Venezuela e Zimbábue. A Argentina já teve um regime cambial fixo com o dólar entre 1991 e 2002, que colapsou após o calote de 2001. As reuniões contaram com a participação de altos funcionários dos conselhos econômicos e de segurança nacional dos EUA.

A dolarização foi uma das principais propostas da campanha presidencial de Javier Milei em 2023, mas o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, descartou sua implementação imediata devido à falta de reservas em dólares. Ainda assim, especialistas como Jay Newman defendem a medida como solução para os ciclos de crise do país, embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerte que a adoção do dólar pode limitar o crescimento econômico argentino.

Após a recente crise desencadeada por derrotas eleitorais regionais, a Argentina viu sua situação estabilizar-se com a vitória legislativa do governo Milei. Investidores aguardam maior flexibilidade cambial, com apoio dos EUA e do FMI. Segundo Hanke, 76% dos créditos da dívida pública argentina desde 1995 foram perdidos devido à fuga de capitais, ou seja, saíram do país sem gerar retorno, e alerta que resgates financeiros são insustentáveis sem investimentos produtivos.