SEGURANÇA PÚBLICA

Maioria dos cariocas sente menos segurança após megaoperação policial, aponta Genial/Quaest

Pesquisa revela que 52% dos entrevistados no Rio avaliam aumento da insegurança após ação contra o Comando Vermelho. Mulheres e moradores de diferentes regiões sentem impacto mais forte.

Publicado em 02/11/2025 às 16:05
Maioria dos cariocas sente menos segurança após megaoperação policial, aponta Genial/Quaest Reprodução

A megaoperação policial realizada na terça-feira, 28, contra o Comando Vermelho, na zona norte do Rio de Janeiro, não trouxe sensação de maior segurança para a população carioca. Pelo contrário: para 52% dos 1,5 mil entrevistados em todo o Estado, o Rio ficou menos seguro após o ataque que resultou em 121 mortes, segundo pesquisa Genial/Quaest. Já 35% dos participantes consideram que a cidade está mais segura.

Entre as mulheres, a percepção de insegurança é ainda maior: cerca de 60% delas acreditam que o Estado está menos seguro após a operação. Entre os homens, o sentimento se divide: 45% veem o Rio mais seguro, enquanto 44% acham que está menos seguro.

A sensação de aumento da insegurança é comum entre entrevistados de todas as faixas etárias, níveis de renda e escolaridade.

O sentimento é mais intenso entre os eleitores de esquerda lulista (82%) e não lulista (87%). Entre os independentes, 59% compartilham dessa opinião. Já entre a direita, a percepção se inverte: 64% dos bolsonaristas acreditam que o Estado está mais seguro, enquanto 62% dos não-bolsonaristas veem o oposto.

Regionalmente, a percepção de insegurança é mais alta entre moradores do Norte/Noroeste e Lagos (58%), Sul Fluminense e região serrana (55%) e na capital (53%). Em Niterói, São Gonçalo e Maricá, 51% sentem o Estado menos seguro. A Baixada Fluminense é a única região onde essa percepção não alcança metade dos entrevistados, ficando em 48%.

Para 87% dos entrevistados, o Rio de Janeiro vive uma situação de guerra. Apenas 13% discordam. Em outros Estados, a realidade não é percebida como tão grave: 51% dos fluminenses não identificam essa situação.

Sobre o medo de represálias, 74% dos entrevistados temem uma reação do tráfico à megaoperação, índice que sobe para 81% entre as mulheres.

Quanto à preparação para o conflito armado, 48% acreditam que as forças policiais do Rio estão mais preparadas, enquanto 44% veem as facções criminosas com vantagem.

Apesar disso, 62% afirmam que o governo do Rio de Janeiro não tem capacidade de combater o crime organizado sozinho. Na avaliação dos entrevistados, a força nacional do governo federal (31%), a polícia dos Estados (30%) e o Exército (28%) aparecem como mais preparados para essa missão.

A megaoperação foi aprovada por 64% dos entrevistados (e por 79% dos homens) e considerada um sucesso por 58%. Para 73%, ações semelhantes deveriam ser realizadas em comunidades. No entanto, metade dos fluminenses acredita que, ao se deparar com uma pessoa armada com fuzil, a polícia deve prender sem atirar; já 37% defendem que os policiais deveriam atirar imediatamente.

A pesquisa Genial Investimentos foi conduzida pela Quaest nos dias 30 e 31 de outubro, com residentes do Rio de Janeiro com 16 anos ou mais. Foram realizadas entrevistas domiciliares presenciais. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.