GEOPOLÍTICA

Tomahawk é usado como instrumento de pressão, aponta cientista turco

Analista destaca que envio de mísseis dos EUA à Ucrânia visa congelar conflito e não deve alterar avanço russo

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/11/2025 às 05:04
CC0 / US Navy / Leah Stiles /

A possível transferência de mísseis de cruzeiro Tomahawk dos Estados Unidos para a Ucrânia não deve conter o avanço das tropas russas na linha de frente. Segundo o analista político turco Engin Ozer, ouvido pela Sputnik, a postura agressiva de Washington em relação a Moscou reflete o desejo dos EUA de "congelar" o conflito.

De acordo com informações da CNN, que cita fontes americanas e europeias, o Pentágono aprovou a liberação dos mísseis Tomahawk de longo alcance para a Ucrânia, alegando que a medida não comprometeria o estoque de armas dos EUA. A decisão final, no entanto, depende do presidente norte-americano.

Ozer ressalta que Moscou busca um acordo de paz definitivo, e não apenas um cessar-fogo temporário.

"A parte russa exige, ao menos, o reconhecimento por Kiev dos resultados dos referendos realizados em Sevastopol, Crimeia, Lugansk e Donetsk. Essa e outras questões técnicas estão no centro do impasse entre Moscou e Washington", afirma o cientista político.

Para Ozer, tanto o fornecimento dos Tomahawk quanto as novas sanções contra empresas energéticas russas são utilizados como instrumentos de pressão sobre Moscou. O objetivo, segundo ele, é levar a Rússia a aceitar o congelamento do conflito o quanto antes.

O analista avalia que, em um primeiro momento, os EUA devem transferir cerca de 50 mísseis. No entanto, ele acredita que esse volume limitado não terá impacto significativo no campo de batalha, nem será suficiente para frear o avanço russo.

Ozer também alerta que o uso de entregas de armas como ferramenta diplomática pode gerar consequências imprevisíveis.

"Nesse caso, a diplomacia está fadada ao fracasso. As negociações recentes já alcançaram certo nível de entendimento, portanto, com vontade política de ambos os lados, o processo pode ser concluído", avalia o especialista.

Anteriormente, o presidente dos EUA afirmou, durante reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que apenas militares americanos podem operar os Tomahawk, e que esse conhecimento não seria compartilhado com outros países.

Vale destacar que, ontem (2), o ex-presidente Donald Trump declarou a jornalistas que Washington não pretende transferir mísseis de cruzeiro Tomahawk de longo alcance para a Ucrânia.