MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua frente ao real, influenciado por Fed e cenário externo

Moeda americana acompanha desvalorização em outros mercados latino-americanos, enquanto investidores monitoram decisões do Copom e do Congresso

Publicado em 03/11/2025 às 09:51

O dólar opera em queda frente ao real nesta segunda-feira, refletindo a desvalorização da moeda americana em relação a outras divisas latino-americanas. No entanto, as baixas nos preços do petróleo e do minério de ferro limitam esse movimento.

Outro fator de influência é o desempenho do índice DXY, que chegou a se aproximar dos 100 pontos mais cedo, mas desacelerou após declarações de Stephen I. Miran, novo membro do Conselho de Diretores do Federal Reserve. Miran afirmou que defenderá um novo corte de 50 pontos-base nos juros, caso suas projeções se confirmem. No fim de semana, o diretor Christopher Waller defendeu a manutenção dos cortes em dezembro e disse aceitar convite do presidente Donald Trump para chefiar o Banco Central americano.

De acordo com o ING, o aperto das condições monetárias e a redução das reservas bancárias pelo Fed sustentam a força do dólar. A paralisação do governo dos Estados Unidos chega ao 33º dia. O presidente Donald Trump responsabilizou os democratas pelo shutdown, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a economia americana permanece sólida, apesar de sinais de recessão em alguns setores.

Na China, o PMI industrial da S&P Global/RatingDog caiu de 51,2 para 50,6, resultado acima das expectativas do mercado. Contudo, o índice oficial recuou de 49,8 para 49, indicando a contração mais intensa da indústria chinesa em seis meses.

No Brasil, investidores acompanham o andamento de pautas fiscais no Congresso e aguardam a decisão do Copom, que será anunciada na quarta-feira e deve manter a Selic em 15% ao ano. O Banco da Inglaterra (BoE) também divulga decisão de juros na quinta-feira.

No cenário político, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vota nesta terça-feira, 4, projetos que elevam a isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil e tributam fintechs e apostas online. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu acelerar a tramitação da PEC da Segurança Pública, relatada por Mendonça Filho (União-PE).

No Boletim Focus, a mediana da inflação suavizada em 12 meses ficou em 4,06%, estável em relação aos 4,21% registrados há um mês. Para o IPCA de 2025, a projeção recuou de 4,56% para 4,55%, ainda 0,05 ponto percentual acima do teto da meta, de 4,5%. Para 2026, a estimativa ficou em 4,20%, ante 4,28% há um mês.

O IPC-S desacelerou para 0,14% em outubro, após alta de 0,19% na terceira quadrissemana e de 0,65% em setembro, segundo a FGV. O resultado ficou levemente acima da mediana das projeções (+0,13%), que variavam de -0,02% a +0,16%. O índice acumula alta de 3,42% no ano e 3,60% em 12 meses.

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do Ibre/FGV recuou 0,1 ponto em outubro frente a setembro, atingindo 89,5 pontos na série com ajuste sazonal.

Já pesquisa Genial/Quaest aponta que 72% dos fluminenses apoiam o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. O levantamento indica ainda que 85% defendem penas mais severas para homicídios a mando do crime, 59% apoiam uma GLO no Estado e 72% dizem confiar na Polícia Militar, ante 65% em novembro de 2023.