Diretor do Fed alerta para risco de recessão e cogita defender corte de 50 pontos-base
Stephen Miran, do Federal Reserve, avalia que postura restritiva do banco central dos EUA pode aumentar risco de recessão e sinaliza possível voto por corte mais agressivo nos juros caso projeções se confirmem.
Stephen Miran, diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), afirmou nesta segunda-feira (3) que a instituição mantém uma postura excessivamente restritiva e alertou para os riscos de recessão caso esse cenário persista. "Acho que o Fed é muito restritivo. Quanto mais tempo permanecermos restritivos, maior o risco de recessão", disse em entrevista à Bloomberg TV.
Miran defendeu que a autoridade monetária adote uma abordagem mais prospectiva em suas decisões. "Ser excessivamente dependente dos dados torna a política muito voltada para o passado. O ideal é fazer política com base nas projeções", destacou.
O diretor sinalizou que poderá "voltar a defender um corte de 50 pontos-base (pb) nos juros se minhas projeções se confirmarem" na próxima reunião da instituição. No entanto, ponderou que ainda não está comprometido com outro voto dissidente em dezembro. "As coisas podem mudar.", afirmou.
Miran também criticou análises que consideram apenas as condições financeiras. "É um erro tirar conclusões sobre a política monetária apenas com base nas condições financeiras. O crédito privado sugere que condições apertadas podem estar mascaradas", pontuou.
Ele acrescentou que mudanças na taxa neutra implicam um aperto passivo da política, mesmo diante dos cortes já realizados pelo Fed.
Segundo Miran, o banco central "poderia chegar à neutralidade com uma série de cortes de 50 pontos-base, mas não precisa de cortes de 75 pontos-base. A economia não está disfuncional".
O diretor ressaltou ainda que dados alternativos sobre inflação não são tão úteis, mas que indicadores do mercado de trabalho "já indicam desaceleração".