SEGURANÇA PÚBLICA

Polícia identifica 117 suspeitos mortos em megaoperação no Rio; maioria tinha ligação com o Comando Vermelho

Trabalho de perícia conclui identificação dos mortos; 62 deles eram de outros estados e mais de 95% tinham vínculo comprovado com facção criminosa

Publicado em 03/11/2025 às 11:55
© AP Photo / Silvia Izquierdo

O Governo do Rio de Janeiro concluiu o processo de identificação dos suspeitos mortos durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 óbitos. Segundo a Polícia Civil, foi possível identificar 117 dos 119 suspeitos mortos, e mais de 95% deles apresentavam ligação comprovada com o Comando Vermelho. Dois laudos periciais tiveram resultados inconclusivos.

De acordo com a corporação, o trabalho de inteligência da cúpula de Segurança Pública do Estado apontou que 59 dos mortos tinham mandados de prisão em aberto, pelo menos 97 possuíam históricos criminais relevantes e, entre os 17 sem antecedentes, 12 apresentavam indícios de envolvimento com o tráfico de drogas em suas redes sociais.

A lista divulgada revela ainda que 62 dos mortos eram naturais de outros estados:

. Pará: 19
. Amazonas: 9
. Bahia: 12
. Ceará: 4
. Paraíba: 2
. Maranhão: 1
. Goiás: 9
. Mato Grosso: 1
. Espírito Santo: 3
. São Paulo: 1
. Distrito Federal: 1

A Defensoria Pública do Estado informou que os corpos de 117 mortos na operação foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) neste domingo (2). Os cadáveres estavam em processo de perícia.

"A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informa que todos os corpos dos suspeitos mortos da megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão foram liberados, e a perícia do Instituto Médico-Legal (IML) foi oficialmente encerrada", destacou a instituição em comunicado. "A Defensoria segue acompanhando o caso e prestando assistência às famílias", acrescentou.

Segundo o governo estadual, quatro dos mortos eram policiais — dois militares e dois civis —, enquanto os demais teriam envolvimento com o tráfico de drogas. O secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, ressaltou que a divulgação da lista não encerra as investigações e que todos os resultados estão sendo documentados "para garantir a transparência e legalidade da operação".

"Essa mínima fração de narcoterroristas neutralizados que não possuíam anotações criminais, nem imagens em redes sociais portando armas ou demonstrando vínculo com facções criminosas não significa nada. Se eles não tivessem reagido à abordagem dos policiais, teriam sido presos em flagrante pelo porte de fuzis, granadas e artefatos explosivos, por tentativa de homicídio contra os agentes de segurança e também pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico de drogas. Portanto, são narcoterroristas que saíram do anonimato", afirmou Curi.

O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, destacou que "os confrontos ocorreram com criminosos que reagiram à ação policial". Segundo ele, uma estratégia fundamental das forças de segurança foi empurrar os suspeitos para uma área de mata fora da região habitada, no alto do morro, preservando a segurança da população. "Foi lá onde se deram os maiores embates. E quem estava na mata, estava em confronto com a polícia", explicou.