POLÍTICA E SEGURANÇA

Governo do RJ faz lobby para Trump classificar Comando Vermelho como narcoterrorista

Administração de Cláudio Castro busca apoio dos EUA para incluir facção em lista internacional de organizações criminosas; governo federal teme consequências diplomáticas

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 03/11/2025 às 17:21
© Foto / Fernando Frazão / Agência Brasil

O governo do Rio de Janeiro, liderado por Cláudio Castro (PL), atua há pelo menos seis meses em uma articulação junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o país classifique o Comando Vermelho como uma organização narcoterrorista.

Segundo documento obtido com exclusividade por O Globo, a administração fluminense encaminhou à embaixada dos EUA no Brasil um relatório solicitando a designação da facção como narcoterrorista. O texto destaca uma série de possíveis vantagens dessa classificação, entre elas a facilitação de cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Castro e outros governadores de direita devem intensificar o movimento para que o Comando Vermelho seja incluído em uma lista que já conta com grupos como o mexicano Los Zetas e o venezuelano Tren de Aragua.

O governo federal, porém, vê a iniciativa com reservas e teme que a classificação de uma facção brasileira possa colocar o país na mira de Washington. Em Brasília, há preocupação com a possibilidade de Trump adotar ações no território brasileiro semelhantes às realizadas no mar do Caribe, como bombardeios a embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

Além disso, a Casa Branca poderia, caso considere necessário, retirar bancos brasileiros do sistema internacional de pagamentos SWIFT se identificar que são utilizados por correntistas envolvidos em esquemas ilegais, mesmo sem provas concretas.

Em maio, o assessor do Departamento de Estado dos EUA, David Gamble, esteve no Brasil para discutir a atuação de organizações criminosas transnacionais e o programa de sanções norte-americanas contra grupos ligados ao terrorismo e tráfico de drogas, mas não foi recebido por representantes da Polícia Federal.

Agora, há expectativa de que lideranças de direita tentem incluir, por meio de emendas ao projeto de lei antifacção do Planalto, a classificação de grupos como o Comando Vermelho e o PCC como organizações narcoterroristas.