CRISE MILITAR EM ISRAEL

Ex-procuradora-chefe militar israelense é presa após vazar vídeo de tortura de palestino

Major-general Yifat Tomer-Yerushalmi admitiu ter divulgado imagens que mostram abuso de detento palestino em centro de detenção; caso expõe tensão interna nas Forças Armadas de Israel

Por Sputinik Brasil Publicado em 03/11/2025 às 18:04
© AP Photo / Oren Ben Hakoon

As autoridades israelenses anunciaram nesta segunda-feira (3) a prisão da ex-procuradora-chefe militar, major-general Yifat Tomer-Yerushalmi, após ela admitir ter vazado um vídeo em que soldados aparecem abusando de um detento palestino em um centro de detenção no sul do país.

Tomer-Yerushalmi renunciou ao cargo na sexta-feira (31), assumindo a responsabilidade pelo vazamento. Sua prisão ocorreu após uma busca em larga escala ao longo da costa de Tel Aviv, na noite de domingo (2), iniciada quando familiares relataram preocupação com sua segurança e a polícia localizou seu carro abandonado perto da praia.

A polícia informou que a ex-procuradora foi encontrada pouco depois, “viva e bem”. Nesta segunda-feira, o Tribunal de Magistrados de Tel Aviv determinou que ela permaneça sob custódia ao menos até quarta-feira (5). Segundo a agência Xinhua, Tomer-Yerushalmi é investigada por suspeitas de fraude, quebra de confiança, abuso de poder e obstrução da justiça.

O ex-procurador militar Matan Solomesh também foi detido e permanecerá sob custódia até quarta-feira. A emissora estatal Kan TV informou que outros oficiais da promotoria militar foram interrogados.

O celular de Tomer-Yerushalmi não foi localizado, e os investigadores apuram se ela teria jogado o aparelho no mar para destruir possíveis provas. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que ela está sob vigilância reforçada.

O vídeo vazado, exibido pelo Canal 12, mostra a agressão a um detento palestino no centro de detenção de Sde Teiman, em agosto de 2024. Na época, militares investigaram o episódio e prenderam vários soldados suspeitos, o que gerou protestos de ativistas de direita que invadiram o centro em resposta.

Cinco soldados foram posteriormente indiciados. Conforme a acusação, cuja cópia foi obtida pela agência Xinhua, os militares espancaram, chutaram e agrediram o detento com uma arma de choque, além de praticarem violência sexual enquanto ele estava vendado e algemado, causando ferimentos graves.

Em sua carta de demissão, Tomer-Yerushalmi afirmou ter vazado o vídeo para conter a onda de indignação pública em Israel dirigida à promotoria militar após a prisão dos soldados suspeitos.

“Os militares têm o dever de investigar sempre que houver suspeita razoável de violência contra um detento”, escreveu ela. “Infelizmente, esse entendimento básico — de que existem ações que jamais devem ser tomadas, mesmo contra os detentos mais cruéis — já não convence a todos.”