MERCADO FINANCEIRO

Taxas futuras de juros sobem acompanhando movimento internacional

Juros futuros avançam na B3 em meio à cautela global e expectativas de manutenção da Selic pelo Copom

Publicado em 03/11/2025 às 18:13
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A dois dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a Selic nos atuais 15%, investidores deixaram em segundo plano a leve melhora das expectativas inflacionárias em um dia de agenda enxuta de indicadores locais. Os juros futuros negociados na B3 subiram, acompanhando o movimento dos mercados internacionais, mesmo diante da queda de 0,43% do dólar na sessão.

Após duas semanas de redução mais expressiva nas estimativas de inflação, o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (3) trouxe um recuo mais discreto, reforçando a percepção de que o Banco Central deve manter uma comunicação conservadora na reunião desta quarta-feira.

No cenário externo, as incertezas em torno da continuidade do shutdown nos Estados Unidos e as dúvidas sobre a decisão do Federal Reserve (Fed) em dezembro impulsionaram a alta dos Treasuries. Segundo agentes do mercado, a abertura da curva americana foi o principal fator de elevação das taxas futuras no Brasil.

Ao fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou de 13,849% para 13,875%. O DI para janeiro de 2029 passou de 13,075% para 13,080%, enquanto o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,351% para 13,375%.

No mesmo período, a taxa da T-Note de 2 anos nos EUA subia para 3,598%, e a de 10 anos, para 4,107%. Nesse trecho da curva, pesaram as incertezas sobre o rumo da política monetária do Fed, avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. O rendimento do título de 30 anos também avançava, atingindo 4,688%.

"Os efeitos do shutdown sobre a política agrícola e o agravamento dos impactos da paralisação, como a cegueira estatística e as consequências na distribuição de recursos, elevam as incertezas", afirma Sanchez. Sobre os títulos americanos de vencimentos curtos e intermediários, ele destaca o dissenso no Comitê de Mercado Aberto (FOMC) quanto à próxima decisão do Fed.

Após o presidente do Fed, Jerome Powell, esfriar as apostas de uma nova redução em dezembro, diretores como Christopher Waller e Stephen Miran mantêm uma postura mais 'dovish'. Por outro lado, a diretora Lisa Cook afirmou nesta segunda-feira que a política de juros "não está em trajetória predeterminada". Em razão do shutdown, Cook disse que a última reunião de 2025 do FOMC considerará dados econômicos atualizados.

No cenário doméstico, o boletim Focus trouxe novo ajuste nas expectativas inflacionárias, ainda que mais moderado. A projeção para o IPCA deste ano caiu 0,01 ponto, para 4,55%, aproximando-se do teto da meta de 4,5%. Para 2026, a estimativa ficou em 4,2%, enquanto para 2027 e 2028, recuou de 3,82% para 3,80% e de 3,54% para 3,50%, respectivamente.

Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, pondera que, apesar da melhora nas expectativas do Focus e de um quadro qualitativo de inflação corrente benigno, o comunicado do Copom nesta quarta-feira deve seguir conservador e com poucas mudanças em relação ao documento anterior.

"O Copom deve manter a Selic em 15%, como amplamente esperado pelo mercado, reforçando a estratégia de manutenção nesse patamar por um 'período bastante prolongado', diante da persistente desancoragem das expectativas", avalia Lima. Ele projeta o primeiro corte da Selic para janeiro, com a taxa atingindo 12,25% ao final de 2026, mas ressalta que a probabilidade de adiamento desse movimento aumentou.

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