Autoridades dos EUA convenceram Trump a barrar acordo da Nvidia com a China para chips avançados
Preocupações com segurança nacional motivaram bloqueio da venda de chips de inteligência artificial da Nvidia ao mercado chinês, segundo o Wall Street Journal.
Altos funcionários do governo dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, persuadiram o então presidente Donald Trump a bloquear a venda de chips avançados da Nvidia para a China, alegando riscos à segurança nacional. A informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal nesta segunda-feira (3).
À medida que Trump se preparava para sua viagem à Ásia em outubro, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, buscava convencer o presidente a autorizar a venda da nova geração de chips de inteligência artificial ao mercado chinês.
O acordo, avaliado em dezenas de bilhões de dólares e fundamental para garantir o acesso da Nvidia à China, foi vetado por assessores de Trump, que consideraram a transação uma ameaça à segurança nacional, segundo o jornal.
Entre os que se opuseram à aprovação do possível acordo estavam o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick — ambos tiveram papel central nas discussões comerciais, de acordo com a reportagem.
Como resultado, a venda dos chips Blackwell à China não foi tratada nas conversas entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, na última semana, em Busan, Coreia do Sul.
A Nvidia ainda aguarda autorização do governo Trump para comercializar uma versão menos potente do chip destinada ao mercado chinês, informou o WSJ. Antes da viagem de Trump à Ásia, durante evento da empresa, Jensen Huang expressou preocupação com uma possível saída dos Estados Unidos do mercado chinês.
"Espero sinceramente que o presidente Trump nos ajude a encontrar uma solução", afirmou Huang, segundo a reportagem. "No momento, estamos em uma posição desafiadora", acrescentou.
Apesar de a reunião bilateral entre Trump e Xi não ter resultado em um acordo comercial, os dois líderes fizeram concessões — incluindo temas como fentanil e tarifas — e concordaram em retomar as negociações em breve, abordando também a questão dos chips e dos controles de exportação.
Em janeiro, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou novas restrições à exportação de chips avançados e modelos de IA, justificando a medida como forma de proteger a segurança nacional e impedir o uso dessas tecnologias por países considerados hostis.
Segundo o departamento, as restrições visam evitar que Estados adversários utilizem inteligência artificial para desenvolver armas, realizar ataques cibernéticos ou implantar sistemas de vigilância em massa. Ao mesmo tempo, a agência garantiu que o acesso a essas tecnologias avançadas será mantido para parceiros e aliados de confiança de Washington.
Por Sputnik Brasil