Senha do sistema de vigilância do Louvre era o próprio nome do museu
Auditoria revela falhas graves na proteção do maior museu do mundo, facilitando ação de hackers e ladrões amadores
O Museu do Louvre, em Paris, foi alvo de um assalto no último dia 19, e novas informações colocam em xeque a segurança do local. Uma auditoria privada, divulgada pelo grupo CheckNews, revelou que a senha de acesso ao sistema de vigilância era simplesmente 'Louvre', evidenciando vulnerabilidades mantidas por anos.
Segundo o jornal Libération, a exposição dessas fragilidades coincide com a mudança de postura do governo francês, que agora reconhece publicamente os problemas de segurança do museu. A ministra da Cultura da França, Rachida Dati, admitiu que há falhas relevantes a serem corrigidas.
Entre os exemplos, está o programa Sathi, desenvolvido pela empresa Thales e adquirido pelo Louvre em 2003. Em 2019, um relatório já alertava que a ferramenta, responsável por supervisionar o circuito de câmeras e o controle de acesso, não recebia mais atualizações. Procurada pelo Libération, a Thales informou que não possui contrato vigente com o museu e que nunca foi procurada para renovação.
Outro ponto crítico é o uso do sistema operacional Windows Server 2003, descontinuado pela Microsoft desde 2015, o que aumenta ainda mais o risco de invasões.
Especialistas em segurança conseguiram acessar remotamente a rede do museu, comprometendo o sistema de videomonitoramento. Em um segundo teste, os profissionais também invadiram sem dificuldades o banco de dados responsável pelo controle de acesso.
Amadores realizaram o assalto
A Promotoria de Paris informou no domingo (2) que o roubo ao Louvre foi cometido por amadores, que levaram cerca de US$ 102 milhões (R$ 548 milhões) em joias e obras de arte.
Segundo as autoridades, o perfil dos quatro detidos — três executores e um colaborador — não corresponde ao de saqueadores profissionais de artefatos históricos.
"Não se trata exatamente de delinquência cotidiana, mas é um tipo de delinquência que geralmente não associamos aos escalões superiores do crime organizado", afirmou Laure Beccuau, promotora de Paris.
Entre os itens roubados, estavam pelo menos oito joias que pertenceram a imperatrizes da França, incluindo uma tiara, um colar, um broche e outras peças históricas expostas em vitrines dedicadas a Napoleão e à monarquia francesa.