COMPETITIVIDADE DIGITAL

Brasil avança quatro posições em ranking global de competitividade digital

País ocupa agora o 53º lugar, impulsionado por produção científica e investimentos em inteligência artificial, mas segue atrás em integração entre setores e formação de profissionais técnicos

Publicado em 03/11/2025 às 21:38
Reprodução / Agência Brasil

O Brasil subiu quatro posições e passou a ocupar o 53º lugar no ranking de competitividade digital elaborado anualmente pela escola de negócios suíça IMD (Institute for Management Development). O levantamento avalia a capacidade dos países de adotar novas tecnologias e, nesta edição, tem a própria Suíça na liderança, seguida por Estados Unidos e Cingapura.

Após um período de estagnação nos rankings de 2023 e 2024, o Brasil apresentou avanços notáveis, especialmente na produção de publicações científicas — quesito em que alcançou sua melhor colocação, o 9º lugar — e nos investimentos privados em inteligência artificial. Também se destacaram positivamente a adoção de robôs em educação e pesquisa e desenvolvimento, além do aumento no uso de serviços públicos online pela população. Esses progressos permitiram ao Brasil ultrapassar África do Sul, Eslováquia, Bulgária e Turquia, países que estavam à sua frente no ranking anterior.

Por outro lado, o País ainda figura entre as últimas posições em áreas como integração entre universidades, empresas e setor público, financiamento da inovação, atração de profissionais estrangeiros altamente qualificados e intercâmbio de conhecimento com o exterior.

De acordo com pesquisadores da Fundação Dom Cabral (FDC), parceira do IMD no estudo, os resultados indicam uma recuperação gradual da competitividade digital brasileira, com destaque para os avanços em produção científica e adoção de novas tecnologias. No entanto, reforçam a necessidade de o Brasil enfrentar desafios estruturais para ampliar sua competitividade. Para os especialistas, uma maior coordenação entre poder público, iniciativa privada e instituições de ensino é fundamental para promover um ambiente mais inovador e produtivo.

Os pesquisadores também apontam como "imprescindível" uma revisão profunda das políticas educacionais e profissionais, priorizando o treinamento técnico especializado e o investimento estratégico em pesquisa e desenvolvimento.

Hugo Tadeu, diretor do núcleo de inovação, IA e tecnologias digitais da FDC, destacou durante a apresentação do estudo à imprensa que os investimentos em tecnologia no Brasil também são impactados por desafios econômicos e pelo alto custo do financiamento. "É óbvio que juros acima de 15% são um desafio para as empresas brasileiras e estrangeiras na expansão e acesso das tecnologias", comentou Tadeu.

Sobre a escassez de mão de obra qualificada, o especialista ressaltou que a formação de mestres e doutores no Brasil se concentra majoritariamente nas ciências sociais, enquanto há uma demanda crescente por profissionais em engenharia e ciências da computação. "O menor porcentual está na formação em áreas técnicas, ao contrário do que acontece cada vez mais no mundo", afirmou. Para agravar o cenário, muitos engenheiros formados no País não possuem as habilidades de programação exigidas pelo mercado.

Os países líderes do ranking mundial de competitividade digital destacam-se pela combinação de estabilidade institucional com investimentos contínuos em ciência e políticas de incentivo à formação de talentos. O ranking é produzido a partir de dados estatísticos internacionais e entrevistas com executivos. No Brasil, a FDC coletou respostas de mais de 100 executivos de diferentes setores, regiões e portes de empresas, assegurando representatividade nacional.

Com a inclusão de Quênia, Omã e Namíbia, o levantamento deste ano analisou 69 economias, tendo a Venezuela na última posição. Apesar da melhora, o Brasil ainda figura entre os 17 países menos competitivos na adoção de novas tecnologias. O Chile, na 43ª colocação, é o país sul-americano mais bem posicionado.