ARQUEOLOGIA MARÍTIMA

Descoberta de navio romano de 1.700 anos na Espanha revela comércio e vida marítima antigas

Embarcação mercante, encontrada quase intacta próximo à Playa de Palma, lança luz sobre o cotidiano, as rotas comerciais e a convivência de crenças no Mediterrâneo do século IV

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/11/2025 às 06:50
© Foto / SUDEMER

Arqueólogos localizaram, a apenas dois metros abaixo das águas cristalinas da Playa de Palma, na Espanha, um navio mercante romano surpreendentemente preservado, que naufragou há cerca de 1.700 anos, segundo o portal Arkeonews.

A descoberta oferece uma janela rara para o comércio romano tardio, as técnicas de construção naval e a vida cotidiana no Mediterrâneo Ocidental.

Ânforas de um navio mercante Romano do século 4 d. C.
Ânforas de um navio mercante romano do século IV d.C.

De acordo com os pesquisadores, o navio teria partido de Cartagena, importante porto romano na costa sul da Espanha, transportando azeite, vinho e garum — molho de peixe fermentado amplamente consumido em todo o império. Uma moeda encontrada sob o mastro, cunhada em Siscia (atual Croácia) por volta de 320 d.C., permitiu uma datação precisa do naufrágio.

O estado de conservação da embarcação é considerado excepcional, resultado do rápido soterramento pelas areias, que a protegeu do oxigênio e impediu a degradação biológica.

Entre os artefatos recuperados estão ânforas intactas, sapatos de couro, uma ferramenta de carpintaria e uma lamparina representando a deusa Diana.

Algumas ânforas exibem monogramas cristãos antigos, evidenciando a coexistência entre crenças pagãs e cristãs no final do período romano.

Objeto encontrado perto de Maiorca
Objeto encontrado perto de Maiorca

As inscrições pintadas nas ânforas revelam detalhes sobre as redes administrativas e comerciais que sustentavam o comércio romano no Mediterrâneo. A análise do barro confirmou a origem das ânforas no sudeste da Espanha, reforçando o papel da região na produção de azeite e molho de peixe durante a Antiguidade Tardia.

Moedas, ânforas e muitos outros artefatos repousam no fundo do mar.
Moedas, ânforas e outros artefatos repousam no fundo do mar.

O naufrágio constitui, assim, um testemunho raro das técnicas de construção naval, da logística comercial e do cotidiano dos marinheiros romanos.