Descoberta de navio romano de 1.700 anos na Espanha revela comércio e vida marítima antigas
Embarcação mercante, encontrada quase intacta próximo à Playa de Palma, lança luz sobre o cotidiano, as rotas comerciais e a convivência de crenças no Mediterrâneo do século IV
Arqueólogos localizaram, a apenas dois metros abaixo das águas cristalinas da Playa de Palma, na Espanha, um navio mercante romano surpreendentemente preservado, que naufragou há cerca de 1.700 anos, segundo o portal Arkeonews.
A descoberta oferece uma janela rara para o comércio romano tardio, as técnicas de construção naval e a vida cotidiana no Mediterrâneo Ocidental.

De acordo com os pesquisadores, o navio teria partido de Cartagena, importante porto romano na costa sul da Espanha, transportando azeite, vinho e garum — molho de peixe fermentado amplamente consumido em todo o império. Uma moeda encontrada sob o mastro, cunhada em Siscia (atual Croácia) por volta de 320 d.C., permitiu uma datação precisa do naufrágio.
O estado de conservação da embarcação é considerado excepcional, resultado do rápido soterramento pelas areias, que a protegeu do oxigênio e impediu a degradação biológica.
Entre os artefatos recuperados estão ânforas intactas, sapatos de couro, uma ferramenta de carpintaria e uma lamparina representando a deusa Diana.
Algumas ânforas exibem monogramas cristãos antigos, evidenciando a coexistência entre crenças pagãs e cristãs no final do período romano.

As inscrições pintadas nas ânforas revelam detalhes sobre as redes administrativas e comerciais que sustentavam o comércio romano no Mediterrâneo. A análise do barro confirmou a origem das ânforas no sudeste da Espanha, reforçando o papel da região na produção de azeite e molho de peixe durante a Antiguidade Tardia.

O naufrágio constitui, assim, um testemunho raro das técnicas de construção naval, da logística comercial e do cotidiano dos marinheiros romanos.