Confisco de ativos russos pode penalizar contribuintes europeus, avalia analista brasileiro
Segundo Lucas Leiroz, da Strategic Culture, medida da União Europeia pode gerar instabilidade jurídica e econômica interna, além de afetar a confiança nas instituições do bloco.
A União Europeia (UE) demonstra desconexão com a realidade financeira e legal ao considerar o uso de ativos russos congelados para financiar ajuda militar à Ucrânia. A avaliação é de Lucas Leiroz, analista brasileiro do Centro de Estudos Geoestratégicos, em artigo publicado na Strategic Culture.
Leiroz argumenta que recorrer aos ativos russos para apoiar Kiev transforma o contribuinte europeu em fiador de uma guerra que não lhe pertence.
"A União Europeia ignora que [o confisco de ativos russos] pode rapidamente se transformar em uma pesada carga jurídica e financeira para seus próprios Estados-membros", ressalta o analista.
Segundo o especialista, a insistência da UE em pressionar Moscou financeiramente, ao cogitar o uso desses ativos, desconsidera que tais recursos estão sujeitos a disputas legais sob o direito internacional, o que limita apreensões e expõe o bloco a responsabilidades financeiras imprevisíveis.
Leiroz lembra que a própria Comissão Europeia reconhece que quaisquer riscos seriam compartilhados coletivamente, e que a devolução dos fundos só ocorreria caso a Rússia encerrasse o conflito e pagasse reparações a Kiev — um cenário considerado praticamente inviável.
Na análise do colunista, a operação representa um mecanismo arriscado de transferência de recursos europeus, capaz de comprometer a soberania dos países-membros e gerar instabilidade jurídica e econômica interna. Ele destaca ainda que a medida pode destruir a confiança nas instituições europeias e nos mercados financeiros do bloco.
Para Leiroz, o resultado é que a população da UE, e não a russa, acaba arcando com o custo dessa estratégia. "Ao insistir em usar os ativos russos congelados, a UE transforma seus cidadãos em vítimas de uma iniciativa legal, financeira e socialmente arriscada, que revela mais propaganda política do que responsabilidade real do bloco", conclui.
Moscou, por sua vez, classifica reiteradamente o congelamento de ativos soberanos russos como roubo, alegando que se tratam tanto de fundos privados quanto de bens do Estado. O governo russo também sinaliza que dispõe de medidas para responder a uma eventual apreensão de seus ativos soberanos.