Copom inicia primeira etapa de reunião para análise de conjuntura econômica
Banco Central reúne diretoria para avaliar cenário e embasar decisão sobre a taxa Selic, cuja manutenção é consenso no mercado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou às 10h07 desta terça-feira, 4, a primeira etapa de sua reunião bimestral, dedicada à análise de conjuntura. Nesta fase, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e os oito diretores acompanham apresentações técnicas do corpo funcional, que servirão de base para a decisão sobre a taxa Selic. O resultado será divulgado na quarta-feira, 5, a partir das 18h30.
O mercado financeiro está praticamente unânime quanto à manutenção da Selic em 15% nesta reunião. Segundo pesquisa Projeções Broadcast, 92% das instituições consultadas esperam que a taxa permaneça nesse patamar pelo menos até o fim do ano.
Analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, avaliam que a comunicação do Copom nesta quarta-feira deve reforçar a mensagem de que os juros seguirão em nível significativamente contracionista por período prolongado.
Para eles, o cenário entre as reuniões evoluiu conforme o esperado pelo colegiado: houve melhora nos dados de inflação corrente, apesar das expectativas ainda desancoradas, e sinais mistos da atividade econômica, com indicação de leve desaceleração.
Apesar dos avanços recentes, o ambiente permanece incerto, especialmente para 2025. No cenário doméstico, o destaque é o ambiente fiscal, acentuado pela proximidade do período eleitoral. No exterior, a dúvida principal é se o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, seguirá com o ciclo de afrouxamento monetário, diante de dados mais robustos do mercado de trabalho, atividade e inflação norte-americanos.
Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções do Boletim Focus para a inflação de 2025 caiu de 4,83% para 4,55% — ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,50%. Para 2026, a estimativa recuou de 4,30% para 4,20%, permanecendo acima do centro da meta, de 3,0%. No mesmo período, o IPCA-15 desacelerou para 0,18% em outubro, ante 0,48% em setembro. Em 12 meses, a inflação recuou de 5,32% para 4,94%.
Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou alta de 0,40% em agosto, na série com ajuste sazonal, após recuo de 0,52% em julho. O resultado ficou abaixo da mediana projetada pelo mercado, que apontava para avanço de 0,70%.
No intervalo entre as reuniões, o presidente do BC e outros membros do colegiado reiteraram que os juros devem permanecer em nível contracionista por tempo prolongado.
Em declaração recente, o presidente do Banco Central afirmou que a manutenção da taxa de juros em patamar elevado é necessária para garantir a convergência da inflação à meta. Ele destacou que a autoridade monetária está "bastante incomodada pelo fato de que ela ainda não está na meta", mas reconheceu sinais de desaceleração no processo inflacionário.