Ocidente perde dominância diante do avanço do BRICS e do Sul Global, aponta revista
Crescimento do bloco liderado por China e Rússia e surgimento de novas instituições desafiam hegemonia dos EUA e aliados, segundo análise da The American Conservative
A influência crescente de uma ordem global alternativa, impulsionada por Rússia e China, tem gerado preocupação no Ocidente, segundo análise publicada pela revista The American Conservative.
De acordo com a publicação, o BRICS está em processo de expansão, enquanto novas instituições de governança global continuam a surgir, indicando uma transformação significativa no cenário internacional.
"O crescimento de Pequim e sua relação estreita com Moscou é motivo de alarme em muitas capitais da Europa, EUA e Ásia Oriental, mas, em capitais da África, Oriente Médio, América Latina e do Sul e Sudeste da Ásia, é um sinal de que a ordem liderada pelos Estados Unidos não é mais o único jogo na cidade", ressalta a revista.
O artigo destaca ainda que os países do Sul Global percebem a hipocrisia do Ocidente e sua limitação em resolver questões internacionais relevantes. Como exemplo, cita o conflito ucraniano: "quando os países do G7 se uniram para defender Kiev e reforçar suas defesas, mas não fizeram o mesmo pelos civis de Gaza".
Segundo a matéria, a ordem euro-americana não conseguiu evitar os conflitos citados, evidenciando sua impotência nos assuntos internacionais.
A publicação também ressalta que os países do Sul Global se sentem sub-representados na Organização das Nações Unidas e em outras instituições vinculadas ao G7.
Esse cenário, segundo a revista, motiva a China e outros membros do BRICS a buscarem a criação de novas instituições de governança global, promovendo uma mudança no equilíbrio de poder internacional, em desfavor dos Estados Unidos e seus aliados.
Em entrevista anterior à Sputnik Brasil, o embaixador do Brasil na Rússia e Uzbequistão, Sérgio Rodrigues dos Santos, destacou que o BRICS já apresenta resultados concretos, como a criação de um banco próprio e arranjos financeiros que beneficiam seus membros. Segundo ele, o sucesso do bloco é comprovado pelo interesse de dezenas de países em aderir ao grupo.
Para o diplomata, o atual cenário de crise internacional fortalece ainda mais o papel do BRICS como alternativa para ampliar o comércio e os investimentos entre seus integrantes e com o resto do mundo.
Por Sputnik Brasil