ANÁLISE

Facções buscam lucro, não derrubar governos, diz pesquisador

Especialista avalia que classificar grupos criminosos como terroristas não se justifica, pois suas ações visam lucro e não objetivos políticos

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/11/2025 às 21:03
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No Congresso Nacional, tramitam propostas que pretendem enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e endurecer o combate ao crime organizado no Brasil.

O pesquisador Ignacio Cano explica que, em geral, considera-se terrorista aquele que busca objetivos políticos por meio da violência. Segundo ele, como a criminalidade no Brasil visa principalmente o lucro, e não a derrubada de governos, a classificação das facções brasileiras como terroristas "não faz sentido".

Além disso, Cano ressalta que as leis antiterroristas em vigor no mundo costumam prever o prolongamento dos prazos de prisão provisória ou a diminuição de algumas garantias processuais. “Nenhuma lei antiterrorista no mundo permite a execução sumária, nem a morte de uma pessoa apenas por ser acusada de terrorismo”, afirma.

No entanto, o especialista critica práticas recentes, citando que os Estados Unidos têm realizado ataques a lanchas no Caribe e que o governo do Rio de Janeiro organizou uma operação policial que resultou em 121 mortes. “É exatamente isso que está acontecendo nessas situações”, avalia.

Sobre a possibilidade de intervenção dos EUA no Brasil sob o argumento do combate ao narcoterrorismo, Cano considera a hipótese remota. Ele destaca que a relação dos norte-americanos com o Brasil é distinta da que mantêm com Colômbia e Venezuela. “O comércio de drogas do Brasil se direciona à Europa. O fluxo para os EUA geralmente passa por países mais próximos, como o México. Portanto, não há justificativa para uma ação dos Estados Unidos no Brasil”, conclui.