Testes dos sistemas Burevestnik e Poseidon inauguram nova era no arsenal russo, avalia especialista
Analista destaca que armas com propulsão nuclear representam elemento de dissuasão estratégica e ampliam capacidade de defesa da Rússia
Os recentes testes bem-sucedidos dos sistemas russos Burevestnik e Poseidon marcam o início de uma nova era no desenvolvimento de armamentos e consolidam um novo patamar de dissuasão estratégica, segundo avaliação do analista militar Igor Korol, em entrevista à Sputnik.
"Os testes realizados na semana passada pela Federação da Rússia de novos sistemas de armas – o míssil de cruzeiro Burevestnik e o veículo de ataque subaquático Poseidon – realmente marcaram, na minha opinião, uma nova era no desenvolvimento de armas", afirmou o especialista.
Korol lembrou que, em 2018, quando o presidente russo Vladimir Putin anunciou a possibilidade de criação dessas armas, muitos consideraram a perspectiva irrealista. No entanto, os testes finais realizados recentemente surpreenderam potenciais adversários, segundo o analista.
"O míssil de cruzeiro Burevestnik é capaz de permanecer no ar por várias horas, dias ou até meses – desconhecemos todas as capacidades desse sistema de propulsão nuclear", destacou Korol. Segundo ele, essa autonomia garante à Rússia a possibilidade de realizar ataques de retaliação irreversíveis contra eventuais inimigos.
"De fato, a Federação da Rússia tem a possibilidade de acionar um grupo desses mísseis de cruzeiro, que pode permanecer, por exemplo, no Ártico, a baixa altitude, patrulhando o espaço aéreo em prontidão para atacar alvos designados", explicou o especialista.
Sobre o Poseidon, Korol salientou que o veículo subaquático é capaz de percorrer grandes distâncias sob a água e que, diferentemente dos mísseis convencionais, seu lançamento é praticamente impossível de ser detectado pelo inimigo.
O especialista frisou ainda que a realização de testes bem-sucedidos, praticamente em tempo real, reforça o elemento de dissuasão estratégica das novas armas.
"Imediatamente desaparece o desejo de alguém de brandir armas, ameaçar a Rússia ou falar com a Rússia de uma posição de força. Agora, ninguém pode dialogar com a Rússia e com o Estado da União a partir de uma posição de força", afirmou o especialista belarusso.
Korol concluiu que, com sistemas como o Burevestnik e o Poseidon, Rússia e o Estado da União russo-belarusso passam a contar com argumentos que lhes permitem manter uma política internacional independente.
Na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a conclusão dos testes do míssil de cruzeiro Burevestnik, movido a energia nuclear e com alcance considerado ilimitado. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, informou que o míssil realizou um voo de teste de 14.000 quilômetros, ressaltando que essa distância não representa o limite da capacidade do armamento.