Rússia acusa EUA de aumentar tensão militar no Caribe e reafirma apoio à Venezuela
Vice-ministro russo responsabiliza Washington pela escalada na região e destaca cooperação com Caracas diante de operações militares norte-americanas próximas à Venezuela.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou nesta quarta-feira (5) que as ações dos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela estão elevando a tensão militar no Caribe.
Segundo Ryabkov, Washington é o principal responsável pela escalada na região.
"Estamos solidários com a Venezuela. Consideramos que o injustificado aumento da presença militar norte-americana no sul do Caribe, e não apenas nessa área, cria uma situação de tensão elevada. E não há ninguém mais que pode ser responsabilizado por isso, além dos próprios Estados Unidos", declarou Ryabkov a jornalistas.
O vice-ministro ressaltou ainda que a Venezuela tem atuado para combater o narcotráfico na região.
Para sustentar sua posição, Ryabkov citou relatórios do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e declarações anteriores do Departamento de Estado dos EUA, argumentando que os cartéis de drogas praticamente não têm relação com a Venezuela.
Questionado sobre um possível pedido de apoio militar de Caracas a Moscou, Ryabkov afirmou que os dois países mantêm contato estreito e constante.
"Em todos os níveis há especialistas que trabalham no tema de nossa cooperação. Mantemos todos os canais de comunicação abertos", afirmou o diplomata.
Ryabkov também abordou outros temas, como a possibilidade de um encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump. Segundo ele, as condições para uma reunião ainda não estão garantidas, já que encontros de alto nível exigem preparação e análise cuidadosa de todos os aspectos.
O diplomata destacou ainda que Rússia e Estados Unidos seguem em contato permanente, com as questões de segurança ocupando posição central nas conversas.
As declarações de Ryabkov ocorrem em meio ao aumento da presença militar dos EUA na região, com manobras e operações navais próximas ao território venezuelano — movimentos considerados provocativos pelo governo de Nicolás Maduro. Moscou, por sua vez, reforça o apoio político e diplomático ao aliado sul-americano e denuncia o que chama de "pressões ilegítimas" de Washington.
Entre setembro e outubro, os EUA realizaram operações militares para destruir embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas na costa venezuelana. No fim de setembro, a NBC noticiou que militares norte-americanos estudavam opções para atingir narcotraficantes dentro da Venezuela. Já em novembro, o presidente Donald Trump afirmou que os dias de Nicolás Maduro estavam contados, mas garantiu que Washington não pretendia declarar guerra a Caracas.
Por Sputnik Brasil